Blog Joerdson Rodrigues

Empresária de Coroatá concentra R$ 11,6 milhões em contratos na gestão Roberta Barreto, em Axixá

Prefeita Roberta Barreta e empresária Ida Valéria Oliveira Martins

A gestão da prefeita de Axixá, Roberta Barreto (MDB), eleita sob o discurso de renovação administrativa, transparência e inovação, passou a ser alvo de desconfiança após a formalização de uma Ata de Registro de Preços milionária com a empresa Oliveira Martins Empreendimentos LTDA, sediada rua do Combate, 08 Plameira Torta, Coroatá, que pertence a empresária Ida Valéria Oliveira Martins, que resultou em uma série de contratos concentrados em um único fornecedor para serviços de manutenção e pequenas obras no município.

Os dados administrativos indicam que, em junho de 2025, a Prefeitura de Axixá firmou a Ata de Registro de Preço nº 2402094501/2025, decorrente do Processo Administrativo nº 24020945/2025 e do Pregão Eletrônico nº 009/2025. O instrumento prevê o registro de preços para contratação de empresa especializada em reparos, manutenção predial, pequenas construções, reformas e ampliações em prédios públicos, sob demanda, conforme planilhas baseadas em sistemas oficiais como SINAPI, SICRO, SEINFRA e ORSE.

O valor total registrado chegou a R$ 11.657.660,53 (onze milhões seiscentos e cinquenta e sete mil seiscentos e sessenta reais e cinquenta e três centavos), quantia expressiva para um município de pequeno porte e que exige acompanhamento rigoroso dos órgãos de controle, sobretudo pela amplitude do objeto contratado e pelo formato “sob demanda”, que amplia a discricionariedade na execução dos serviços ao longo da vigência da ata.

Concentração de contratos em um único prestador de serviços

A análise dos dados contratuais demonstra que, a partir da ata, a Prefeitura de Axixá formalizou seis contratos distintos com a mesma empresa, distribuídos entre diferentes secretarias municipais. Na prática, a Oliveira Martins Empreendimentos passou a centralizar serviços de manutenção predial e pequenas obras em áreas estratégicas da administração.

Entre os contratos firmados, destacam-se:

Todos os contratos possuem vigência até 06 de junho de 2026, o que demonstra que a empresa assumiu, de forma concentrada, a execução de serviços estruturais em praticamente toda a máquina administrativa municipal.

Modelo “sob demanda” exige controle rigoroso

O modelo de contratação adotado — manutenção predial, reformas e ampliações sob demanda — é permitido pela legislação quando precedido de processo licitatório válido, como o pregão eletrônico citado. No entanto, especialistas em administração pública costumam apontar que esse formato requer controle técnico rigoroso, fiscalização constante e transparência ativa, justamente para evitar sobrepreços, serviços não executados integralmente ou baixa competitividade futura.

Isso ocorre porque, ao registrar preços e posteriormente contratar por adesão à ata, o município passa a depender de um único fornecedor para diversos serviços simultaneamente, o que, embora legal, reduz a pluralidade de prestadores e pode dificultar a comparação de custos ao longo da execução contratual.

Discurso de campanha versus prática administrativa

Durante a campanha eleitoral, a atual gestão municipal defendeu mudanças estruturais na administração pública, com promessas voltadas à transparência e modernização dos gastos. A concentração de contratos milionários em uma única empresa, contudo, tem provocado questionamentos políticos e administrativos sobre a compatibilidade entre o discurso eleitoral e as decisões efetivamente adotadas na condução dos contratos públicos.

Não se trata, necessariamente, de ilegalidade automática — uma vez que o procedimento licitatório foi formalizado —, mas de um cenário que demanda atenção redobrada dos órgãos de controle interno, do Tribunal de Contas e do Ministério Público, especialmente em razão do volume financeiro e da abrangência dos serviços contratados.

Importância da fiscalização e da transparência ativa

Em situações como essa, a legislação recomenda ampla publicidade dos contratos, medições detalhadas dos serviços executados, cronogramas físicos e financeiros transparentes e relatórios periódicos de fiscalização. Tais instrumentos são essenciais para assegurar que os valores empenhados correspondam a obras e serviços efetivamente realizados e com qualidade técnica compatível com os preços registrados.

A ausência de acompanhamento público contínuo pode abrir margem para questionamentos sobre economicidade, eficiência e planejamento orçamentário, sobretudo quando se observa que mais de R$ 6 milhões concentram-se apenas na Secretaria de Educação, setor sensível que demanda prioridade e controle social permanente.

Órgãos de controle devem acompanhar execução

Diante do montante global e da centralização dos contratos, especialistas apontam que a execução dos serviços deverá ser acompanhada de perto pelos órgãos fiscalizadores, a fim de garantir que a ata de registro de preços cumpra sua finalidade sem prejuízos ao erário ou à qualidade das intervenções em prédios públicos.

A observância rigorosa dos princípios da legalidade, eficiência, economicidade e transparência é fundamental para que contratações desse porte não se transformem em passivos administrativos ou em futuros questionamentos judiciais.

Até o momento, os documentos disponíveis indicam que os contratos seguem formalmente amparados pelo processo licitatório correspondente. Contudo, o volume expressivo de recursos públicos concentrados em um único fornecedor reforça a necessidade de controle social e institucional contínuo sobre a execução dos serviços no município de Axixá.

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