Blog Joerdson Rodrigues

BOMBA! Instituto que tem ex-assessor de Roberto Rocha como presidente acumula quase R$ 100 milhões em contratos com prefeituras entre 2025 e 2026

Almir Neto e Roberto Rocha

Mudanças no comando, alteração expressiva das atividades econômicas e expansão para áreas como saúde, educação e fornecimento de mão de obra chamam atenção na trajetória recente do instituto.

O instituto INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE, instituição que anteriormente utilizava a razão social Instituto Ipe Roxo, passou por uma série de mudanças administrativas, cadastrais e de atividades econômicas nos últimos anos e aparece em um levantamento que aponta para quase R$ 100 milhões em contratos entre 2025 e 2026.

Os dados analisados pelo blog Joerdson Rodrigues mostram uma transformação significativa no perfil de atuação da instituição, especialmente a partir de 2025, quando foram acrescentadas diversas atividades relacionadas à terceirização de mão de obra, fornecimento e gestão de recursos humanos, saúde, educação, consultoria e prestação de outros serviços.

Outro ponto que chama atenção é a mudança no comando da INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE. Em fevereiro de 2026, Almir Gonçalves Coelho Neto passou a ocupar a presidência da entidade.

O nome de Almir também aparece relacionado à política maranhense por ter ocupado anteriormente um cargo comissionado no gabinete do então senador Roberto Rocha.

É importante destacar que essa relação profissional anterior, isoladamente, não permite afirmar que Roberto Rocha tenha participação, conhecimento ou responsabilidade pelos contratos firmados pela INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE. A informação é apresentada como parte da trajetória profissional do atual presidente da instituição.

Da criação do Instituto Ipe Roxo à INGEST

A instituição foi criada em 2 de setembro de 2021.

No início de sua trajetória, a entidade utilizava o nome Instituto Ipe Roxo e tinha André Luiz Damacena Almeida como presidente, conforme o histórico cadastral analisado.

Em dezembro de 2024, ocorreu uma mudança relevante.

Caique Melo Santos passou a ocupar a presidência, enquanto André Luiz Damacena Almeida deixou a sociedade.

Na mesma época, a razão social foi alterada:

Instituto Ipe Roxo → INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE.

A mudança de denominação ocorreu pouco antes de uma ampla expansão das atividades econômicas cadastradas.

Fevereiro de 2025: expansão das atividades

Em fevereiro de 2025, a INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE passou por uma série de alterações cadastrais.

A atividade principal foi modificada de “Atividades associativas não especificadas anteriormente” para “Atividades de associações de defesa de direitos sociais”.

Ao mesmo tempo, diversas atividades secundárias foram acrescentadas.

Entre elas estão:

A amplitude das atividades chama atenção porque coloca a INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE em uma posição cadastral capaz de atuar em setores bastante distintos.

É importante ressaltar, entretanto, que a inclusão de atividades no cadastro não significa necessariamente que todas tenham sido executadas pela instituição.

O que precisa ser verificado é quais dessas atividades efetivamente deram origem a contratos e quais serviços foram realmente prestados.

Março de 2025: mão de obra temporária

Outro registro relevante ocorreu em março de 2025.

A INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE passou a ter cadastrada a atividade 7820-5/00 — Locação de mão de obra temporária.

Também aparece a atividade de fornecimento e gestão de recursos humanos para terceiros.

A mudança merece atenção especialmente diante do volume de contratos apontado pelo levantamento.

A questão central é verificar se os contratos celebrados posteriormente estão relacionados a essas atividades e, principalmente, se os serviços foram efetivamente executados.

Mudança de endereço

A trajetória da INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE também inclui mudanças de endereço.

Em fevereiro de 2025, o endereço cadastrado passou de uma área rural localizada em Formosa (GO) para a Rua dos Azulões, Office Tower, no bairro Renascença, em São Luís (MA).

Em fevereiro de 2026, houve uma nova alteração.

O endereço passou a ser informado na Rua dos Beija-Flores, bairro Ponta do Farol, em São Luís.

Mudanças de endereço são comuns em organizações e empresas e, isoladamente, não representam qualquer irregularidade.

No entanto, dentro de uma análise investigativa, essas alterações podem ser confrontadas com outros acontecimentos, como mudanças de direção, razão social, atividades econômicas e crescimento contratual.

Almir Gonçalves Coelho Neto assume a presidência

Em 2 de fevereiro de 2026, Almir Gonçalves Coelho Neto entrou como presidente da INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE.

Na mesma época, Caique Melo Santos deixou a sociedade.

A mudança ocorreu depois da ampla alteração das atividades econômicas registrada em 2025.

Relação profissional com Roberto Rocha

Antes de assumir a presidência da INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE, Almir Gonçalves Coelho Neto ocupou cargo comissionado no gabinete do então senador Roberto Rocha.

O cargo informado no levantamento é de Ajudante Parlamentar Intermediário, AP-02, a informação é relevante para compreender a trajetória profissional do atual presidente da instituição. Porém, é necessário evitar conclusões que não estejam sustentadas por documentos.

Não há, nos dados apresentados neste levantamento, comprovação de que Roberto Rocha seja sócio, dirigente ou responsável pela INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE.

Também não se pode concluir, apenas pela relação profissional anterior, que o ex-senador tenha qualquer participação nos contratos celebrados pela instituição.

Quase R$ 100 milhões em contratos

O principal ponto do levantamento é financeiro.

Segundo os dados analisados pelo blog Joerdson Rodrigues, a INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE acumulou quase R$ 100 milhões em contratos entre 2025 e 2026.

O volume chama atenção e justifica uma análise detalhada sobre a origem dos recursos, os municípios contratantes, os objetos dos contratos e a efetiva execução dos serviços.

Entretanto, existe uma diferença fundamental entre valor contratado e dinheiro efetivamente pago.

Um contrato de determinado valor pode ter execução parcial, pagamentos parcelados ou saldo ainda não utilizado.

Por isso, uma investigação responsável precisa analisar: valor contratado + empenhado + liquidado + efetivamente pago.

Essa distinção será fundamental para dimensionar corretamente o volume de recursos públicos movimentado pela INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE.

Quais municípios contrataram a INGEST?

Essa é uma das principais perguntas que precisam ser respondidas.

O levantamento deve avançar sobre cada contrato firmado pela INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE, identificando:

Somente com esse cruzamento será possível compreender de forma precisa como a instituição chegou ao volume contratual identificado.

Crescimento legítimo ou algo que merece explicação?

O crescimento de uma instituição, por si só, não é irregular.

Uma organização pode mudar sua razão social, trocar seus dirigentes, alterar endereço e ampliar suas atividades econômicas dentro da legislação.

O que chama atenção no caso da INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE é a combinação de vários acontecimentos em um intervalo relativamente curto:

mudança de razão social;

mudança de dirigentes;

mudança de endereço;

ampliação significativa das atividades econômicas;

entrada no segmento de fornecimento e gestão de mão de obra;

inclusão de dezenas de atividades relacionadas à área da saúde;

e, segundo o levantamento, forte crescimento no volume de contratos públicos.

Esse conjunto de informações não permite, sozinho, afirmar que exista irregularidade.

Mas representa um cenário que merece transparência, fiscalização e análise documental.

O que precisa ser esclarecido

A questão central não é simplesmente quanto a INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE contratou.

A pergunta mais importante é: quais serviços foram contratados, por quais municípios, por quais valores e quais serviços foram efetivamente entregues à população?

Também é necessário verificar se a estrutura operacional da instituição era compatível com o volume de serviços contratado.

No caso de terceirização de mão de obra, por exemplo, é importante verificar quantos profissionais foram disponibilizados, quais funções desempenharam, onde trabalharam e quais foram os custos envolvidos.

Na área da saúde, a análise precisa considerar ainda a quantidade de profissionais, unidades atendidas, procedimentos realizados e documentação comprobatória da execução.

Linha do tempo da INGEST

2021 — criação da instituição.

2022 — André Luiz Damacena Almeida aparece como presidente.

Dezembro de 2024 — Caique Melo Santos assume a presidência.

Dezembro de 2024 — a razão social muda de Instituto Ipe Roxo para INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE.

Fevereiro de 2025 — ocorre ampla alteração das atividades econômicas.

Fevereiro de 2025 — o endereço cadastrado muda de Formosa (GO) para São Luís (MA).

Março de 2025 — é incluída a atividade de locação de mão de obra temporária.

2025–2026 — segundo o levantamento, a instituição acumula quase R$ 100 milhões em contratos.

Fevereiro de 2026 — Almir Gonçalves Coelho Neto assume a presidência.

Fevereiro de 2026 — ocorre nova alteração de endereço dentro de São Luís.

O blog vai continuar investigando

O blog Joerdson Rodrigues seguirá acompanhando os contratos da INGEST – GESTÃO DE PESSOAS E SOCIEDADE, especialmente aqueles firmados com municípios maranhenses.

A próxima etapa da apuração deve concentrar-se no cruzamento dos contratos com os respectivos empenhos, liquidações e pagamentos, além da análise dos processos de contratação e dos documentos que comprovem a execução dos serviços.

Tentamos contatos com todas as partes citadas, mas não obtivemos retorno, o blog está aberto para esclarecimentos e notas.

Por fim, o que existe são dados públicos, mudanças cadastrais e informações contratuais que merecem ser examinados com transparência.

Quando envolve dinheiro público, perguntar não é acusar. É fiscalizar!

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