Pautas Femininas aborda temática LGBTQI+

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 O programa “Pautas Femininas”, da Rádio Assembleia (96.9), entrevistou, nesta segunda-feira (29), a assistente social, escritora e mestre em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Lívia Almeida Dutra. Ela tratou, dentre outros assuntos, do atendimento socioeducativo de meninas trans e travestis em cumprimento de medidas privativas de liberdade no Maranhão, abordado no livro intitulado “Rios não Recomendados”, decorrente de sua dissertação de Mestrado.

Lívia Dutra afirmou que faz parte da população LGBTQI+ e que, desde 2017, ainda na graduação, estuda e debate a temática. “Fui estagiária do Ministério Público e pude acompanhar de perto as discussões, dentro dessa instituição, e junto à Fundação da Criança e do Adolescente (FUNAC), por meio de Rodas de Diálogo, sobre o atendimento a essas pessoas em situação de privação de liberdade, nos Centros Socioeducativos”, revelou.

Ela ressaltou o quanto é difícil a vivência das pessoas travestis e trans e o quanto é complexo o entendimento dessa questão por parte da sociedade, sobretudo nessa faixa da vida que compreende a adolescência.

“O adolescente é uma pessoa em formação. Garantir direitos para crianças e adolescentes é obrigação do Estado brasileiro. Ser rejeitado por existir é terrível. Se assumir já é doloroso, imagina ser rejeitado pela família. Dentro do centro de reabilitação, o direito da identidade de gênero é maior do que fora, na sociedade”, afirmou.

Transfobia

Livia Almeida revelou que a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) registra que a evasão escolar é muito grande entre travestis e trans por causa da transfobia. “O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQI+ no mundo. Estão matando pessoas LGBTQI+ simplesmente por elas existirem. São assassinatos sempre cruéis e monstruosos. Temos sempre negado o nosso direito de existir. O problema não está em nós e sim no outro, que não nos aceita como diferentes”, frisou. 

Luta

Ela disse que tudo que é falado pela população LGBTQI+ é decorrente de luta e que já garantiram algumas conquistas, mas que ainda há muito o que se avançar. “E nenhuma dessas conquistas passou pela aprovação do Congresso, mas oriundas de decisões judiciais. A bancada conservadora no Congresso Nacional não reconhece nossos direitos”, lembrou.

“No domingo (28), tivemos a primeira Marcha em Brasília (DF) alusiva a comemoração do Dia Nacional da Visibilidade Trans no Brasil. Aqui, no Maranhão, vamos ter uma semana para falar sobre a luta da população LGBTQI+. Debateremos, dentre outros temas, a questão da empregabilidade das pessoas LGBTQI+”, revelou.

Foco

Livia Dutra resumiu o que é o livro “Rios não Recomendados”. “É um livro totalmente pensado e fechado. O livro fala sobre os corpos e vivências da comunidade LGBTQI+. O sumário faz referência Letícia Nascimento, autora do livro “Transfeminismo”, que é uma pessoa inspiradora para mim. Discuto os marcos normativos da população LGBTQI+, faço as discussões de gênero e de sexualidade e falo da relação gênero, raça e classe, dentre outras questões”, assinalou.

Desafios

“É preciso que se invista em políticas públicas que atendam às necessidades das pessoas LGBTQI+. Precisamos superar o entendimento de que se é diferente de mim, tem que sumir. Vivemos angustiados e em insegurança o tempo inteiro em razão do preconceito da sociedade. O Estado brasileiro precisa garantir nossa dignidade e existência. Precisamos de capacitações continuadas sobre orientação sexual e identidade de gênero”, defendeu Lívia Dutra.

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