A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (22/9), a Operação Laudo Cego, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso suspeito de obter e manter fraudulentamente benefícios previdenciários por incapacidade temporária. A ação é coordenada pela PF e integra a Força-Tarefa Previdenciária, com a participação da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social do Ministério da Previdência Social.
Entre os alvos da operação está o pré-candidato a deputado estadual Leonardo Sá (PRD), que, além de político, é funcionário do INSS. Segundo informações de bastidores, ele teria usado o cargo e sua influência para conceder benefícios de forma irregular e fazer política com suas intervenções. As investigações apontam que o grupo criminoso era formado por servidores públicos, profissionais da saúde, contadores, empresários e intermediários. Entre as práticas investigadas, estão a emissão de laudos médicos falsos, a criação de vínculos empregatícios fictícios, a inserção de informações fraudulentas nos sistemas previdenciários, o recrutamento de beneficiários e a movimentação dos valores obtidos ilicitamente.
Até o momento, foram identificados 172 benefícios potencialmente fraudulentos, bem como um prejuízo de aproximadamente R$ 6,57 milhões aos cofres públicos. A suspensão dos pagamentos considerados indevidos pode evitar outras perdas, estimadas em cerca de R$ 1,01 milhão.
São cumpridos 39 mandados de busca e apreensão em São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Pinheiro, Santa Helena, Palmeirândia, Presidente Sarney, Presidente Juscelino e Brejo, no Maranhão, além dos municípios de Santa Rosa/RS, Cotia/SP, Parauapebas/PA, Parnaíba/PI e Ubajara/CE. Também foram determinadas medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal, proibição de contato entre os investigados e constrição de bens e valores, com a finalidade de assegurar eventual ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos.
A Operação Laudo Cego é um desdobramento da Operação Camisaria, realizada em setembro de 2024. A análise do material apreendido naquela investigação, associada a outras diligências, revelou indícios de um esquema estruturado para a concessão indevida de benefícios previdenciários.
Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de estelionato previdenciário, falsificação de documento público, inserção de dados falsos em sistema de informações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Contexto político e eleitoral
Leonardo Sá é candidato a deputado estadual e tem seu nome associado ao grupo político do prefeito de Pinheiro, André da RalpNet, que declarou apoio à sua pré-candidatura. A operação ocorre em um momento sensível do calendário eleitoral, levantando questionamentos sobre a conduta de agentes públicos que disputam cargos eletivos.
O caso também joga luz sobre a atuação de servidores do INSS que, supostamente, utilizam a estrutura do órgão para fins particulares e eleitorais. A investigação segue sob sigilo, mas os indícios apresentados até agora apontam para um esquema de corrupção sistêmico que lesa diretamente os cofres públicos e prejudica a população que depende da Previdência Social.
A reportagem procurou o pré-candidato Leonardo Sá para comentar as investigações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

