Blog Joerdson Rodrigues

Operação Laudo Cego: PF em Pinheiro atinge em cheio prefeito André da Ralpnet e deputado Segundo

A Operação Laudo Cego, deflagrada pela Polícia Federal, além de desbaratar um forte esquema de desvio de recursos e concessão de benefícios com laudos falsos no Maranhão, causou grande impacto político em Pinheiro, principal cidade da Baixada Maranhense.

Conforme novas informações aparecem, o caso ganha mais corpo. Informações obtidas com exclusividade pelo blog Joerdson Rodrigues apontam que um dos alvos da PF durante a operação foi a médica Dhyeslen Brito, esposa do vereador de oposição Rodrigo Brasil, principal aliado do deputado estadual João Batista Segundo (PL), que concorre à reeleição.

A visita da PF aconteceu na casa da mãe do vereador Rodrigo Brasil, onde ele reside com a esposa. Segundo informações preliminares obtidas pelo blog Joerdson Rodrigues, ela teria assinado laudos usados no esquema.

Vereador Rodrigo Brasil e sua esposa médica Dhyeslen Brito

Durante o desespero com a visita de agentes da PF em sua casa, o vereador ligou para o deputado Segundo, que correu para o local e tentou dar uma “carteirada” nos agentes, na tentativa de entrar no ambiente. Ele afirmou ser sobrinho da proprietária e depois se apresentou como deputado: “Eu sou sobrinho da dona da casa e deputado estadual, eu quero e vou entrar”, teria disparado o deputado. Ele foi confrontado por um dos agentes presentes no local, que respondeu à altura: “Você não tem nada o que fazer aqui, não me interessa se é deputado, vai para lá e sai daqui”, teria respondido um dos agentes presente na ação. Os policiais recolheram documentos e outros itens no local.

Vereador Rodrigo Brasil ao lado do deputado João Batista Segundo

O ponto curioso de toda essa trama é que a fraude do INSS em Pinheiro acaba ligando dois grupos distintos: o grupo do prefeito André da Ralpnet, com o ex-deputado estadual Leonardo Sá, perito do INSS; e, do outro lado, a médica Dhyeslen Brito, esposa do vereador de oposição Rodrigo Brasil, apresentado como parlamentar braço direito do deputado João Batista Segundo, além do médico Dr Giovanni Viegas.

Em Palmeirândia, a PF fez uma visita ao hospital municipal Padre Bento Domini, onde o alvo seria o médico Giovanni Viegas, que presta serviços no local, e fez um interrogatório ao médico ainda no hospital. Em Pinheiro, os agentes ainda visitaram o Hospital Medlife, que pertence a Gláucia Chaves, esposa do médico Dr Giovanni Viegas, de onde levaram computadores.

Médico Dr Giovanni Viegas

Por fim, a Operação Laudo Cego acabou por impactar diretamente os grupos políticos do prefeito André da Ralpnet que busca eleger um dos principais investigado da fraude na Baixada, Dr Leonardo Sá e do deputado João Batista Segundo, que busca sua reeleição através da esposa de um dos seus principais apoiadores, além do médico Dr Giovanni Viegas, que também faz parte do seu grupo político.

Candidato a deputado estadual Leonardo Sá com o prefeito de Pinheiro, André da Ralpnet

Vale ressaltar uma curiosidade, que apesar de não ser alvo da operação, os dois médicos que figuram como alvos da operação atuam junto a prefeitura de Palmeirândia, na gestão prefeito Edilson da Alvorada, o que motivou a visita da PF ao hospital municipal.

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (22/9), a Operação Laudo Cego, com o objetivo de combater um grupo criminoso suspeito de obter e manter fraudulentamente benefícios previdenciários por incapacidade temporária.

A ação é coordenada pela PF e integra a Força-Tarefa Previdenciária, com a participação da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social do Ministério da Previdência Social.

São cumpridos 39 mandados de busca e apreensão em São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Pinheiro, Santa Helena, Palmeirândia, Presidente Sarney, Presidente Juscelino e Brejo, no Maranhão, além dos municípios de Santa Rosa/RS, Cotia/SP, Parauapebas/PA, Parnaíba/PI e Ubajara/CE.

Também foram determinadas medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal, proibição de contato entre os investigados e constrição de bens e valores, com a finalidade de assegurar eventual ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos.

A Operação Laudo Cego é um desdobramento da Operação Camisaria. As investigações tiveram início após a identificação de indícios de um esquema voltado para a concessão indevida de benefícios previdenciários.

Segundo a apuração, o grupo teria como integrantes servidores públicos, profissionais da saúde, contadores, empresários e intermediários. Entre as práticas investigadas estão a emissão de laudos médicos falsos, a criação de vínculos empregatícios fictícios, a inserção de informações fraudulentas nos sistemas previdenciários, o recrutamento de beneficiários e a movimentação dos valores obtidos ilicitamente.

Até o momento, foram identificados 172 benefícios potencialmente fraudulentos, bem como um prejuízo de aproximadamente R$ 6,57 milhões aos cofres públicos.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de estelionato previdenciário, falsificação de documento público, inserção de dados falsos em sistema de informações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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