Em busca de uma vaga na Assembleia Legislativa, vereador aposta no distanciamento familiar e em críticas ao Governo do Estado para tentar herdar o prestígio do prefeito de São Luís.
A política maranhense assiste, nos últimos meses, a uma manobra de equilibrismo que chama a atenção nos bastidores da capital. O vereador Aldir Júnior, pré-candidato a deputado estadual, parece ter traçado uma estratégia clara, porém arriscada: construir uma identidade política “independente”, longe da influência — e dos problemas — de seu tio, o deputado federal Josimar Maranhãozinho.
Para alcançar esse objetivo, Aldir Júnior tem buscado, de forma insistente, associar sua imagem à do prefeito de São Luís, Eduardo Braide. A movimentação é vista por analistas como um “mecanismo de sobrevivência eleitoral”, dado que Braide goza de uma avaliação positiva na Região Metropolitana, enquanto o clã de Josimar enfrenta o desgaste de investigações e processos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos episódios mais comentados recentemente foi a aparição do vereador em uma obra da prefeitura nas regiões do Cohatrac e Itapiracó. No vídeo, Aldir aparece sozinho, tentando capitalizar politicamente sobre uma gestão que não é sua. Para observadores da política local, o gesto soou como uma tentativa forçada de “lacração” nas redes sociais para atrair os holofotes do Palácio de La Ravardière.
A estratégia de “colar” em Braide serve a dois propósitos:
- Transferência de prestígio: Tentar absorver a aprovação do prefeito em redutos onde o nome de sua família enfrenta resistência;
- Escudo político: Criar uma narrativa de que pertence ao grupo da capital, distanciando-se do rótulo de “sobrinho de Josimar”.
A pressa de Aldir Júnior em se aproximar de Braide e criticar a gestão estadual de Carlos Brandão tem uma explicação lógica: o passivo jurídico de seu grupo familiar. Josimar Maranhãozinho, figura central de sua base política original, é alvo de investigações da Polícia Federal e figura como réu no STF.
Nos bastidores, comenta-se que Aldir tenta provar que possui “luz própria” e que pode garantir uma votação expressiva sem depender diretamente da estrutura do tio. No entanto, o esforço para se desvincular da imagem de Josimar é visto por críticos como contraditório, uma vez que sua ascensão política está intrinsecamente ligada ao sobrenome e ao apoio do clã.
Ao tentar se equilibrar entre a popularidade de Braide e o afastamento de suas raízes, Aldir Júnior caminha em uma linha tênue. Se por um lado a estratégia pode render votos na capital, por outro, pode soar como ingratidão ou falta de grupo político sólido perante o eleitorado mais conservador.
O que se vê hoje é um pré-candidato em busca de um novo padrinho político para chamar de seu. Resta saber se Eduardo Braide aceitará essa associação ou se Aldir Júnior continuará a ser o “sobrinho isolado” em busca de uma vaga na Assembleia Legislativa.

