A gestão do prefeito Mecinho, em São João Batista, poderá entrar para a história não apenas pelas promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2020, quando utilizou o slogan de ser um candidato “liso”, mas também pelos questionamentos que cercam sua administração ao longo dos últimos cinco anos.
Caso as denúncias que tramitam na Justiça e em órgãos de fiscalização sejam confirmadas, a gestão poderá ser marcada por uma série de episódios envolvendo suposto nepotismo, contratações contestadas, possível evolução patrimonial incompatível com a remuneração do cargo e problemas recorrentes na prestação dos serviços públicos.
Casa de quase R$ 5 milhões
Um dos principais pontos levantados por opositores e denunciantes diz respeito à evolução do patrimônio do prefeito. Segundo os questionamentos, Mecinho teria deixado uma residência simples para morar em um imóvel de alto padrão, além de supostamente possuir outros imóveis, fazendas e pontos comerciais adquiridos durante o período em que exerce o mandato. As fotos, por si só, mostram o antes e o depois da residência do gestor, que hoje exibe em fotos e vídeos sua luxuosa residência de quase R$ 5 milhões, sendo uma das melhores residências da Baixada Maranhense.
O imóvel contrasta com o valor recebido mensalmente pelo prefeito, até 2024 recebia apenas R$ 16 mil brutos e passou, em 2025, para R$ 20 mil brutos. A esposa, Hildene Pinto, que é professora do município, recebe menos de R$ 10 mil. Além disso, existem diversas fazendas em São João Batista, chalés em Barreirinhas, apartamentos em São Luis e outras cidades que foram compradas recentemente.
Somado os valores, os imóveis da família são incompatíveis com o luxo exibido pelo próprio prefeito e sua esposa, o que levanta séria suspeitas e devem ser objetos de investigação por parte das autoridades.
Nepotismo
Outro tema que também vem sendo alvo de ações judiciais é a suposta prática de nepotismo. As denúncias apontam que familiares do prefeito, entre eles esposa, pai, genro, sobrinhos, noras e outros parentes, teriam ocupado cargos estratégicos na administração municipal desde o início da gestão. A legalidade dessas nomeações depende da análise da Justiça e dos órgãos de controle, que deverão verificar se houve violação aos princípios constitucionais da administração pública.
Atualmente, a esposa Hildene Pinto é secretária da Mulher; o genro Domingos Câmara, é o secretário de Saúde; o pai, Diolindo Pinto, é o secretário de Articulação Política; o sobrinho, Jhonis Maicon, é o secretário de Meio Ambiente; Fábio Pínto, é o procurador do Município; a cunhada, Rafaela Pinto, é a secretária de Administração, além de vários outros parentes que ocupam cargos de primeiro e segundo escalão na prefeitura.
Concurso de 2015
Também existem questionamentos sobre a utilização do concurso público realizado em 2015 para nomeações feitas anos depois da homologação do certame. Críticos da administração sustentam que o concurso teria sido utilizado para beneficiar aliados políticos, enquanto outras contratações teriam ocorrido sem concurso público ou processo seletivo. Caso essas alegações sejam comprovadas, poderão ser objeto de responsabilização administrativa e judicial.
As denúncias constam que até quem não aparece na lista de excedentes foi nomeada pelo prefeito. O esquema funciona assim: ele pede para a pessoa entrar na Justiça, a juíza nega a liminar e as partes vão para um acordo. Na audiência de conciliação, os advogados da prefeitura dizem que querem um acordo e o prefeito resolve chamar a pessoa.
Mais denúncias
Na área da educação, moradores e profissionais relatam problemas estruturais em escolas, falta de professores, dificuldades no fornecimento da merenda escolar e ausência de reajustes reivindicados pela categoria do magistério. Também houve questionamentos sobre a utilização da identidade visual da atual gestão em substituição aos símbolos oficiais do município, tema que poderá ser analisado pelos órgãos fiscalizadores quanto à observância dos princípios da administração pública.
Na saúde, as reclamações envolvem o funcionamento do hospital municipal, abastecimento de medicamentos e qualidade do atendimento prestado à população. Já na infraestrutura, comunidades da zona rural afirmam enfrentar dificuldades de acesso, principalmente durante o período chuvoso, situação que, segundo moradores, compromete o transporte escolar, o deslocamento de pacientes e o escoamento da produção agrícola.
Outro ponto que poderá ser objeto de análise diz respeito aos recursos públicos recebidos pelo município. De acordo com dados públicos, São João Batista recebeu R$ 400 milhões de reais em transferências federais desde 2021. Os críticos da gestão afirmam que os investimentos realizados não seriam compatíveis com o volume de recursos disponíveis, cabendo aos órgãos de fiscalização verificar a correta aplicação dessas verbas.
As denúncias envolvendo patrimônio, nomeações de familiares, contratações e execução orçamentária somente poderão resultar em responsabilização caso sejam confirmadas por investigações, decisões judiciais ou órgãos de controle, respeitando-se o devido processo legal e o direito à ampla defesa.
A reportagem buscará a manifestação do prefeito Mecinho e de sua defesa para que apresentem esclarecimentos sobre todos os pontos levantados, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa.
