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BOMBA! denuncia aponta suspeitas de favorecimento da gestão de Nilton Everton em licitação para recuperação de estradas vicinais

Prefeito de Matinha, Nilton Everton (PRD)

Uma concorrência para recuperar as estradas vicinais de Matinha, na Baixada Maranhense, virou alvo de representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA). A empresa que apresentou o menor preço foi desclassificada pela gestão do prefeito Nilton Carlos Silva Everton. Agora pede a suspensão urgente do certame.

A representação foi protocolada em 19 de outubro de 2026 pela Castelo Branco Empreendimentos Ltda, de Trizidela do Vale. Ela ofertou R$ 789.474,03 para executar a obra, orçada pela Prefeitura em R$ 1.052.632,00. Foi eliminada, assim como outras três empresas que cobraram menos que as concorrentes que seguiram na disputa.

A maior beneficiada pela sequência de desclassificações é a A3 Construção e Engenharia, convocada em 16 de outubro com lance de R$ 942.105,64. São R$ 152.631,61 a mais que a proposta derrubada, quase 20% acima do menor preço. E a empresa não é estranha à Prefeitura: levantamento do blog Joerdson Rodrigues encontrou pagamentos do município à A3 desde 2020.

Uma a uma, as mais baratas foram caindo

A Concorrência Eletrônica nº 006/2026 (Processo nº 1147/2026) teve oito empresas na disputa, com sessão aberta em 3 de agosto. Segundo a ata oficial anexada à representação, as propostas mais vantajosas para o município foram eliminadas em sequência:

EmpresaValor ofertadoO que aconteceu
Avante Serviços & Comércio LtdaR$ 789.100,40Inabilitada em 4/8 por não apresentar documentos
V T Construções e Serviços LtdaR$ 789.474,02Inabilitada em 12/8: custo de Eletricista e Auxiliar de Eletricista abaixo do piso
Castelo Branco Empreendimentos LtdaR$ 789.474,03Desclassificada em 19/8: custo de Eletricista e Auxiliar de Eletricista abaixo do piso
Tratorcenter Peças e Serviços LtdaR$ 894.842,43Inabilitada em 2/9: adicional de periculosidade de Eletricista e Auxiliar não contemplado
Construnorte Empreendimentos LtdaR$ 942.000,00Habilitada em 11/9; inabilitada em 16/10, após recurso
A3 Construção e Engenharia LtdaR$ 942.105,64Convocada em 16/10; documentos em análise

Chama atenção que três empresas tenham caído pelo mesmo motivo: o custo da mão de obra de eletricista. E isso numa obra de recuperação de estradas vicinais.

Os pareceres que embasaram as desclassificações saíram do setor de engenharia da Prefeitura. No caso da Castelo Branco, o documento é o Parecer Técnico nº 0062026-2, de 14 de agosto, assinado pelo engenheiro civil Klynsman Gonçalves Pinheiro (CREA/MA 111793989-8).

A empresa contesta. Afirma que montou a planilha com a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) atualizada de 2026 e que, em nenhum momento, foi chamada para diligência ou esclarecimento. No próprio chat da licitação, um dos concorrentes questionou: “Como está essa sequência de inabilitações?”

Outro detalhe: a proposta da Castelo Branco ficou apenas R$ 0,03 acima do limite de 75% do orçamento. Pela Lei nº 14.133/2021, abaixo disso a proposta seria considerada inexequível. Ou seja, o preço não caía na presunção legal de inexequibilidade.

A canetada do prefeito

Em 13 de outubro, o prefeito Nilton Carlos Silva Everton assinou a decisão do recurso. Deu parcial provimento à Castelo Branco: acatou o pedido contra a Construnorte, mas manteve a desclassificação de quem ofereceu o menor preço.

Três dias depois, em 16 de outubro, a Construnorte foi inabilitada “em fase de recurso”. Na mesma manhã, a A3 Construção e Engenharia Ltda foi convocada e teve duas horas para mandar proposta e documentos. A sessão foi suspensa para nova análise técnica.

O parecer complementar que manteve a eliminação da Castelo Branco, de 24 de setembro, reafirma a falha nos custos de mão de obra. Mas, segundo a empresa, não traz os números: qual salário a planilha usou, qual seria o correto, qual a diferença e quanto isso pesa no preço final.

A3: velha conhecida dos cofres de Matinha

A empresa que agora está em posição de ficar com a obra é velha conhecida da Prefeitura. Na Receita Federal, a A3 Construção e Engenharia Ltda, tem sede em Penalva, município vizinho a Matinha. Aberta em agosto de 2018 como Eireli, tem como sócio-administrador Alfredo Banhos Terceiro e declara capital social de R$ 4,5 milhões.

O blog Joerdson Rodrigues encontrou contratos e pagamentos do município à empresa desde 2020, o constatou-se que o primeiro Contrato nº 97/2020, para execução da obra de reforma das Unidades Básicas de Saúde dos Povoados São Francisco e Itans, firmado ainda na gestão anterior, da prefeita Linielda Nunes Cunha.

O que a empresa pede ao TCE

Na representação, a Castelo Branco pede medida cautelar para suspender a licitação, ou ao menos a adjudicação, homologação e assinatura do contrato. Também quer que o Tribunal exija da Prefeitura a íntegra do processo e faça uma análise técnica independente da planilha à luz da CCT Sinduscon/MA 2026 (registro MA000081/2026).

A empresa faz questão de dizer que não acusa, de antemão, fraude no parecer ou favorecimento a outra concorrente. Quer que o TCE confira se a eliminação foi baseada em números verificáveis, antes que o contrato seja assinado e o prejuízo fique difícil de reverter.

Perguntas que a gestão Nilton Everton precisa responder

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