O volume de recursos públicos destinados ao abastecimento da frota municipal de Presidente Sarney atingiu cifras que chamam a atenção de órgãos de controle e da sociedade civil. Um levantamento exclusivo realizado por este blog revela que a gestão do prefeito Gilson Lima já destinou o montante de R$ 3.139.784,92 (três milhões cento e trinta e nove mil setecentos e oitenta e quatro reais e noventa e dois centavos) ao Auto Posto Ubiratan, localizado no município vizinho de Pinheiro.
O valor, que proporcionalmente permitiria uma autonomia logística incomum para uma frota municipal, levanta questionamentos sobre a eficiência e o planejamento dos gastos públicos na atual administração.
O histórico dessa relação comercial entre a prefeitura e o estabelecimento ganhou novos contornos no início de 2025. Na ocasião, o posto foi beneficiário de contratações emergenciais que totalizaram aproximadamente R$ 1,2 milhão, divididos entre quatro secretarias municipais.
A “contratação emergencial” é um dispositivo legal que permite a dispensa de licitação em casos de urgência real e imprevista. No entanto, o uso recorrente dessa modalidade para serviços previsíveis, como o fornecimento de combustível, costuma ser alvo de fiscalização rigorosa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), uma vez que a falta de concorrência pode ferir o princípio da economicidade.
Além dos valores absolutos, dois pontos fundamentais embasam a crítica administrativa:
- Localização externa: O fato de o posto principal de abastecimento estar situado em Pinheiro gera dúvidas sobre o custo-benefício logístico (o deslocamento de veículos apenas para abastecer consome o próprio combustível pago pelo erário).
- Volume de gastos: Os R$ 3,1 milhões já repassados representam uma fatia significativa do orçamento municipal, exigindo que a gestão Gilson Lima apresente relatórios detalhados de quilometragem, rotas e finalidade de cada litro utilizado.
Este blog mantém o espaço aberto para que a Prefeitura de Presidente Sarney e os representantes do Auto Posto Ubiratan apresentem as notas fiscais, os cronogramas de abastecimento e as justificativas técnicas para a escolha da modalidade emergencial e a concentração de pagamentos em uma única empresa.
A fiscalização dos recursos públicos é um direito do cidadão e um dever da imprensa livre. Continuaremos acompanhando o desdobramento desses pagamentos e a destinação final dos impostos do povo sarneyense.
