Denúncia de médicos sem Registro de Qualificação de Especialista na Secretaria de Saúde de Santa Inês que teria gerado rombo nos cofres públicos chega ao TCE

Uma representação encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE/MA) levanta suspeitas de possíveis irregularidades na contratação e remuneração de profissional médico por especialidade sem comprovação formal de Registro de Qualificação de Especialista (RQE) no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde de Santa Inês. O documento solicita medidas cautelares, auditoria e eventual tomada de contas especial.

O documento aponta como envolvidos diretos ou potenciais responsáveis pelos fatos investigados:

  • Antônio Jorge Matias Alves – médico citado como beneficiário da remuneração por especialidade;
  • Pedro Felipe Santos Bringel Martins – vice-prefeito de Santa Inês, mencionado no contexto das divulgações públicas em ambiente cirúrgico;
  • Prefeito Municipal de Santa Inês (não nominado na representação) – apontado como possível ordenador de despesas;
  • Secretário(a) Municipal de Saúde de Santa Inês (não nominado) – responsável pela supervisão e validação dos cadastros e pagamentos;
  • Demais agentes públicos responsáveis pelo cadastramento e validação de dados no CNES – equipe técnica envolvida na alimentação e conferência das informações funcionais.

Questionamento central: especialidade médica sem RQE

Segundo a representação, Antônio Jorge Matias Alves teria sido apresentado publicamente como “médico cirurgião geral”. Contudo, consulta ao Conselho Federal de Medicina não indicaria, em tese, a existência de RQE vinculado ao CRM informado, requisito formal para atuação e remuneração como especialista no serviço público.

Paralelamente, registros no CNES/DATASUS apontariam o profissional cadastrado como cirurgião geral e ginecologista/obstetra, o que, se não acompanhado de comprovação documental oficial, poderia revelar divergência entre o cadastro funcional e a qualificação registrada nos órgãos competentes.

Possível pagamento indevido e impacto ao erário

A representação sustenta que, caso seja confirmada a ausência de RQE válido, a administração municipal pode ter remunerado especialidade não comprovada, caracterizando possível despesa irregular e eventual dano aos cofres públicos.

O texto destaca que o pagamento por especialidade exige titulação formal, registro oficial e comprovação documental idônea. Ignorar esses requisitos, se comprovado, poderia indicar desvio de finalidade administrativa, falha grave de controle interno e distorção do regime remuneratório na saúde pública.

Responsabilidade pode alcançar gestores e beneficiário

A representação afirma que a eventual responsabilização poderá atingir solidariamente:

  • o médico Antônio Jorge Matias Alves, caso tenha permitido inserção de especialidade sem comprovação;
  • o vice-prefeito Pedro Felipe Santos Bringel Martins, citado no contexto da divulgação pública das atividades médicas;
  • o Prefeito Municipal de Santa Inês, como ordenador de despesas;
  • o(a) Secretário(a) Municipal de Saúde, pela validação e supervisão dos dados;
  • e os agentes responsáveis pelo cadastramento e autorização de pagamentos no sistema federal.

Pedido de medidas cautelares e auditoria

Entre as providências solicitadas ao TCE/MA estão a suspensão de pagamentos vinculados à especialidade questionada, apresentação formal do RQE, bloqueio cautelar de valores eventualmente pagos a maior, auditoria completa na Secretaria Municipal de Saúde e análise do impacto financeiro acumulado.

Caso as irregularidades sejam confirmadas, o documento pede ainda a instauração de tomada de contas especial, imputação de débito solidário, aplicação de multas administrativas e comunicação ao Ministério Público do Maranhão para apuração de eventual improbidade administrativa.

Divulgação em redes sociais reforça questionamentos

Imagens anexadas à representação mostram o vice-prefeito Pedro Felipe Santos Bringel Martins ao lado do médico Antônio Jorge Matias Alves em ambiente cirúrgico, com referência pública ao profissional como “cirurgião”, fato que reforça os questionamentos sobre a correspondência entre a qualificação divulgada e a titulação formal exigida.

Análise crítica: possível falha sistêmica de controle

Embora as alegações ainda dependam de apuração técnica do Tribunal de Contas, o caso evidencia, em tese, uma possível fragilidade no controle administrativo da qualificação profissional no serviço público municipal. Se confirmadas as inconsistências, o episódio pode revelar falha relevante no dever de fiscalização da gestão e potencial uso indevido de recursos do SUS.

Presunção de inocência

Importante ressaltar que todos os citados — Antônio Jorge Matias Alves, Pedro Felipe Santos Bringel Martins, o Prefeito Municipal de Santa Inês, o(a) Secretário(a) Municipal de Saúde e demais agentes técnicos — são mencionados na representação como partes a serem investigadas, cabendo aos órgãos de controle a verificação dos fatos, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

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