Instituição afirma ter adotado providências, afastado profissional e comunicado o caso às autoridades; família, segundo informações obtidas pelo Blog, ainda questiona a comunicação e busca respostas sobre o episódio envolvendo uma criança autista.
Após a publicação de reportagem pelo blog Joerdson Rodrigues sobre o caso de uma criança autista de cinco anos que teria sofrido uma grave fratura nas dependências da Clínica Le Petit, em São Luís, a instituição publicou uma nota oficial se manifestando pela primeira vez de forma pública sobre o episódio.
O caso teria ocorrido no dia 24 de junho, durante um atendimento terapêutico. Segundo informações apuradas e divulgadas pelo blog, a criança deixou a clínica chorando e com o braço sem sustentação. Posteriormente, exames teriam constatado uma fratura no úmero direito, com indicação de cirurgia de urgência, colocação de fios metálicos e imobilização.
O episódio chegou às autoridades policiais e, conforme informado pela família, está sendo apurado pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Clínica afirma que episódio foi excepcional
Na nota publicada nas redes sociais, a Clínica Le Petit afirma estar “profundamente sensibilizada” com o ocorrido e destaca que possui mais de 12 anos de atuação na área de cuidado e desenvolvimento infantil.
Segundo a instituição, situação semelhante jamais teria ocorrido anteriormente e o episódio seria excepcional, não correspondendo à rotina, aos valores, aos princípios ou ao padrão de atendimento adotado pela clínica.
A Le Petit também afirma que, assim que tomou conhecimento dos fatos, adotou as providências cabíveis, prestou assistência e acolhimento à família e afastou o profissional envolvido.
A instituição afirma ainda ter comunicado espontaneamente o ocorrido aos órgãos competentes, entre eles o Conselho Tutelar e o Ministério Público, e diz permanecer à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

Imagens das câmeras estão no centro dos questionamentos
Um dos principais pontos relacionados à investigação envolve as imagens das câmeras de segurança do estabelecimento.
A família afirmou ainda que teria tido acesso às imagens dentro da própria clínica, mas que não teria recebido uma cópia.
Na nova nota, entretanto, a Clínica Le Petit afirma que as imagens relacionadas ao ocorrido foram preservadas e apresentadas, pelos meios oficiais, às autoridades competentes.
Família questiona comunicação com a clínica
Apesar da manifestação oficial, o blog Joerdson Rodrigues obteve informações de que a família ainda estaria encontrando dificuldades para manter comunicação com a instituição e obter respostas sobre o caso.
Essa informação, caso confirmada, merece atenção justamente porque envolve uma criança e um episódio que resultou em uma lesão de significativa gravidade, segundo os documentos e relatos apresentados pela família.
O que existe, até aqui, é uma divergência de percepções: de um lado, a clínica afirma ter prestado assistência, adotado providências, afastado o profissional e comunicado o caso às autoridades; de outro, a família relata dificuldades na comunicação e busca esclarecimentos sobre o que aconteceu.
Essa diferença precisa ser esclarecida pelas partes e, principalmente, pelas autoridades responsáveis pela apuração.
Comentários foram restringidos no Instagram
Outro aspecto que chamou a atenção após a publicação da nota oficial foi a restrição dos comentários na publicação feita pela Clínica Le Petit no Instagram.
A medida impede ou limita a participação pública de usuários na postagem, o que reduz o espaço para manifestações de pais, familiares e demais pessoas que eventualmente tenham questionamentos sobre o episódio ou o trabalho da clinica.
AO ponto de vista da transparência, a decisão pode gerar questionamentos, especialmente porque a publicação trata justamente de um episódio que despertou repercussão pública e envolve uma criança autista.