Gigante do varejo nordestino encolhe quadro de pessoal em quase 14% e abandona lojas de eletrodomésticos no Maranhão e em outros cinco estados. Lucro despenca mais de 20%.
O Grupo Mateus, uma das maiores redes de varejo alimentar do país, passa por um dos maiores enxugamentos de sua história. A companhia fechou 28 lojas e viu seu quadro de funcionários encolher em 6.673 trabalhadores entre o fim de 2025 e março de 2026. O corte alcançou operações no Maranhão, Piauí, Pará, Ceará, Sergipe e Bahia.
Segundo dados divulgados em reportagens sobre os resultados da empresa, o número de trabalhadores despencou de cerca de 47,9 mil, em dezembro de 2025, para 41,2 mil em março deste ano, uma queda de aproximadamente 13,9%. Na prática, é como se mais de um em cada sete postos de trabalho tivesse desaparecido em apenas três meses.
Eletro Mateus é a mais atingida
As 28 lojas fechadas não eram supermercados. Todas pertenciam à Eletro Mateus, bandeira do grupo voltada à venda de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.
Os encerramentos aconteceram ao longo de 2025. O Pará concentrou parte importante dos fechamentos: somente no último trimestre daquele ano, 13 unidades da Eletro Mateus foram encerradas no estado.
O recuo foi além das lojas fechadas. O grupo também retirou os setores de eletrodomésticos e eletrônicos de outras 20 lojas de varejo alimentar, que seguem abertas, mas agora concentradas apenas na venda de alimentos e produtos de supermercado.
A empresa não divulgou a lista completa com os endereços das unidades encerradas nem quantos trabalhadores foram desligados em cada estado.
Quantos foram demitidos?
O número de 6.673 representa a redução líquida do quadro de pessoal no período. Ou seja, não é possível afirmar que exatamente essa quantidade de pessoas foi demitida, já que no mesmo intervalo podem ter ocorrido contratações, pedidos de demissão e outras movimentações.
Também não há detalhamento de quantos postos foram cortados no Maranhão, nem em quais municípios.
Vende mais, lucra menos
O enxugamento chega depois de anos de expansão acelerada do grupo, dono das marcas Mateus Supermercados, Mix Mateus e Eletro Mateus. Agora, a estratégia é cortar despesas e concentrar investimentos no que dá mais retorno: o varejo alimentar e o atacarejo.
Os números explicam a mudança de rota. No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida do grupo chegou a R$ 9,4 bilhões, alta de 12,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido, porém, caiu 21,8%, para R$ 212,9 milhões. A empresa vende mais, mas está ganhando menos com cada venda.
Apesar do impacto no emprego, o Grupo Mateus não está encerrando suas atividades. Supermercados e atacarejos continuam funcionando normalmente, enquanto a companhia reorganiza parte dos negócios e da estrutura de pessoal.