Uma criança autista de cinco anos entrou para uma sessão de psicomotricidade na Clínica Le Petit, no Calhau, em São Luís. Saiu com o braço fraturado e precisou de cirurgia. Agora, o caso ultrapassou a investigação sobre a conduta do profissional que fazia o atendimento: o Ministério Público quer saber se a segurança oferecida pela clínica também falhou.
Na denúncia criminal, a promotora Carla Mendes Pereira Alencar afirma que imagens das câmeras mostram o educador físico Julyson Marcelo Matos da Silva segurando a criança pelo tronco e a projetando para a frente, provocando sua queda. Segundo a acusação, ele disse inicialmente que a criança havia tropeçado e negou contato físico. Depois, admitiu à polícia que omitiu o empurrão no primeiro relato. Laudos citados pelo MP apontam fratura do úmero e incapacidade para as atividades habituais por mais de 30 dias.
A outra frente foi aberta pela promotora Lítia Teresa Costa Cavalcanti. Na Portaria nº 6/2026, ela instaurou inquérito civil contra a Clínica Le Petit Ltda. para apurar sua possível responsabilidade na prestação do serviço. O documento afirma que os fatos noticiados sugerem falhas em protocolos de segurança, monitoramento, recrutamento, treinamento e supervisão. O MP também considera necessário verificar se outros pacientes podem estar expostos a riscos. Essas questões ainda serão investigadas.
A promotoria requisitou à clínica explicações detalhadas, as gravações com áudio desde a entrada até a saída da criança, a relação e a qualificação dos profissionais, além dos alvarás de funcionamento e sanitário e do certificado do Corpo de Bombeiros. Também pediu uma inspeção sanitária à Secretaria Municipal de Saúde e uma inspeção técnica aos bombeiros. A portaria não informa o resultado dessas diligências.
No processo criminal, o MP pediu uma nova perícia para verificar possíveis sequelas e reparação mínima de R$ 50 mil para a criança em caso de condenação. Em 22 de setembro, a juíza Larissa Rodrigues Tupinambá Castro determinou a remessa dos autos à 8ª Vara Criminal de São Luís. A decisão não julgou a acusação nem fixou indenização.
A Clínica Le Petit não foi denunciada criminalmente nos documentos examinados, mas é alvo do inquérito civil. Resta saber o que as gravações completas e as inspeções mostrarão — e que providências a empresa tomou depois da fratura. O espaço está aberto à clínica e à defesa do profissional. A identidade da criança foi preservada.