Alynne Pinheiro Ribeiro Trindade é investigada por supostamente enganar pelo menos 30 pessoas desde 2024; vítimas teriam pago até R$ 10 mil por um benefício de viagens que não era concretizado.
A suspeita de estelionato Alynne Pinheiro Ribeiro Trindade se apresentou ao Plantão do Cohatrac, em São Luís, no pultimo final de semana, após a divulgação pelo blog Joerdson Rodrigues de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Maranhão. Ela é investigada por supostamente aplicar golpes envolvendo a venda de passagens aéreas e pacotes de viagens.
O caso ganhou repercussão após o Blog Joerdson Rodrigues divulgar informações sobre a ordem judicial. De acordo com os dados da investigação, pelo menos 30 pessoas teriam sido vítimas do esquema desde 2024.
Como funcionava o suposto golpe?
Segundo as informações apuradas, Alynne teria utilizado sua condição de funcionária da Gol Linhas Aéreas para conquistar a confiança dos interessados.
Ela oferecia um suposto benefício que permitiria realizar viagens nacionais e internacionais durante um ano, mediante o pagamento apenas das taxas de embarque. Para adquirir o benefício, as vítimas desembolsavam valores entre R$ 8 mil e R$ 10 mil.
Entretanto, após receber o dinheiro, a investigada supostamente deixava de responder às mensagens ou apresentava justificativas para a não emissão das passagens. Entre as explicações relatadas estavam voos lotados e cancelamentos atribuídos à manutenção das aeronaves.
A investigação também aponta que algumas vítimas chegaram a se deslocar até o aeroporto durante a madrugada, mesmo sem conseguir embarcar. Entre as pessoas prejudicadas estariam idosos, crianças e mulheres grávidas.
Além do prejuízo financeiro, os episódios teriam provocado desgaste emocional nas vítimas e em seus familiares.
Vítima relata confiança na indicação de conhecido da igreja
Em conversa com o Blog Joerdson Rodrigues, uma das pessoas que afirma ter sido vítima do suposto golpe, e que preferiu não ter a identidade divulgada, relatou que confiou na negociação após receber a indicação de um conhecido ligado à Igreja Evangélica Assembleia de Deus, na região da Ponta do Farol, em São Luís.
Segundo o relato, a indicação feita por alguém de seu círculo de confiança e a associação da investigada à comunidade religiosa contribuíram para que acreditasse na legitimidade da oferta.
O depoimento levanta questionamentos sobre como a suspeita teria conseguido construir relações de confiança com possíveis vítimas. No entanto, a eventual responsabilidade de outras pessoas ou da instituição religiosa não pode ser presumida sem provas.
Até o momento, as informações apresentadas não permitem afirmar que dirigentes ou integrantes da igreja tivessem conhecimento prévio de possíveis irregularidades.
Investigada já havia sido condenada por estelionato
Conforme as informações reunidas na investigação, Alynne já havia sido condenada pela Justiça por outros crimes de estelionato relacionados a fatos ocorridos em 2012.
Ainda segundo os dados do caso, novas vítimas teriam sido atingidas a partir de 2024, período em que o suposto esquema de venda de benefícios de viagens teria voltado a ocorrer.
O crime de estelionato está previsto no artigo 171 do Código Penal e consiste, em linhas gerais, em obter vantagem ilícita em prejuízo de outra pessoa, induzindo-a ou mantendo-a em erro por meio de fraude.
Justiça decretou prisão preventiva
A prisão preventiva de Alynne foi decretada em 28 de setembro de 2026, por decisão da juíza Larissa Rodrigues Tupinambá Castro, titular da 1ª Central das Garantias e Inquéritos da Comarca da Ilha de São Luís.
O pedido foi apresentado pela Polícia Civil e recebeu parecer favorável do Ministério Público.
Conforme a decisão judicial descrita nas informações do caso, a prisão foi considerada necessária para a garantia da ordem pública, diante da avaliação de risco de continuidade das supostas práticas criminosas. A magistrada também teria entendido que medidas cautelares menos restritivas não seriam suficientes naquele momento.
O mandado foi registrado no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), sistema do Conselho Nacional de Justiça, com validade indicada até 2038.
A prisão preventiva é uma medida cautelar decretada antes do julgamento definitivo, quando estão presentes os requisitos previstos na legislação. Ela não representa, por si só, uma condenação pelos fatos investigados.
Caso deve continuar sob apuração
A apresentação de Alynne à polícia ocorreu em meio à repercussão do caso e à divulgação do mandado de prisão. As circunstâncias da apresentação, assim como os próximos desdobramentos processuais, devem ser confirmados junto às autoridades responsáveis.
As vítimas que alegam ter sofrido prejuízos podem procurar a Polícia Civil para formalizar ou complementar seus relatos, apresentando comprovantes de pagamento, conversas, anúncios e outros documentos que possam contribuir com a investigação.
O caso chama a atenção para os riscos de ofertas de viagens com condições extraordinariamente vantajosas, especialmente quando envolvem pagamentos elevados antecipados e promessas de benefícios cuja legitimidade não foi verificada.