Em menos de um ano, gestão de Chiquinho FC (PT) repassa 84% de contratos que somam R$ 40 milhões para entidade suspeita. Investigação do blog Joerdson Rodrigues expõe teia de poder, falta de transparência e o uso de dinheiro público para fins que levantam graves questionamentos.
O que está acontecendo com o dinheiro do povo de Codó? Após uma avalanche de denúncias anônimas chegarem à nossa Central, a equipe de investigação do blog Joerdson Rodrigues se debruçou sobre os contratos da gestão do prefeito Chiquinho FC e descobriu indícios de um suposto esquema de proporções alarmantes. No centro de tudo está o Instituto GEPAS, uma entidade que, sob um manto de legalidade, já drenou mais de R$ 34.096.479 (trinta e quatro milhões, noventa e seis mil, quatrocentos e setenta e nove reais) dos cofres municipais apenas em 2025. Os tentáculos deste caso, porém, se estendem para muito além da prefeitura, chegando aos mais altos escalões da política maranhense e podendo envolver diretamente a senadora Ana Paula Lobato e o deputado Othelino Neto.
A máquina de contratos: Um negócio de R$ 40 milhões
A operação financeira entre a Prefeitura de Codó e o Instituto GEPAS é monumental. Três contratos, todos assinados em 2025 e convenientemente distribuídos entre as secretarias de maior orçamento, somam um total impressionante de R$ 40.719.420,00 (quarenta milhões, setecentos e dezenove mil, quatrocentos e vinte reais). O objeto é sempre o mesmo: a “contratação de empresa especializada na prestação de serviços terceirizados”, um eufemismo para o fornecimento de mão de obra precarizada.
Vamos aos detalhes dos contratos que estão sangrando o município:
- Contrato Nº 168/2025 (Saúde): Com um valor global de R$ 12.215.826,00 (doze milhões, duzentos e quinze mil, oitocentos e vinte e seis reais), este contrato terceiriza funções essenciais como motoristas, recepcionistas e apoio administrativo na saúde.
- Contrato Nº 167/2025 (Educação): O mais vultoso de todos, no valor de R$ 24.431.652,00 (vinte e quatro milhões, quatrocentos e trinta e um mil, seiscentos e cinquenta e dois reais). Um montante que poderia revolucionar a educação codoense com reformas, tecnologia e valorização de professores, mas que é destinado a um exército de terceirizados.
- Contrato Nº 166/2025 (Administração): Totalizando R$ 4.071.942,00 (quatro milhões, setenta e um mil, novecentos e quarenta e dois reais), para suprir as demais secretarias com a mesma mão de obra.

O mais chocante, no entanto, é a velocidade dos pagamentos. Em menos de nove meses, a gestão Chiquinho FC já repassou R$ 34.096.479,00 (trinta e quatro milhões, noventa e seis mil, quatrocentos e setenta e nove reais) ao instituto, o que corresponde a 84% do valor total dos contratos anuais. Que serviços de urgência justificam uma execução financeira tão acelerada? Essa pressa em pagar levanta suspeitas sobre a lisura do processo e a real contraprestação dos serviços.
Repasses da gestão Chiquinho FC ao Instituto GEPAS atá o momento:
| Secretaria/Origem do repasse | Valores pagos ao Instituto GEPAS |
| Secretaria de Administração | R$ 4.521.673,20 (quatro milhões, quinhentos e vinte e um mil, seiscentos e setenta e três reais e vinte centavos) |
| Secretaria de Saúde | R$ 9.805.080,75 (nove milhões, oitocentos e cinco mil, oitenta reais e setenta e cinco centavos) |
| Secretaria de Educação | R$ 19.769.725,05 (dezenove milhões, setecentos e sessenta e nove mil, setecentos e vinte e cinco reais e cinco centavos) |
| TOTAL PAGO | R$ 34.096.479,00 (trinta e quatro milhões, noventa e seis mil, quatrocentos e setenta e nove reais) |

O modus operandi: Burla à lei, exploração humana e curral eleitoral
Por que uma prefeitura optaria por um modelo tão caro e controverso? A resposta está em um tripé perverso que se tornou comum no Maranhão:
- Drible na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): A LRF proíbe que municípios gastem mais de 54% de sua receita com a folha de pagamento. Ao contratar um instituto, a despesa deixa de ser “gasto com pessoal” e vira “pagamento de serviço”, uma manobra contábil para maquiar as contas públicas e evitar que o prefeito seja enquadrado por improbidade administrativa.
- Direitos trabalhistas na lata do lixo: Os “colaboradores” do instituto vivem em um limbo. Eles trabalham para a prefeitura, recebem ordens de secretários municipais, mas não têm direito a nada: nem carteira assinada, férias, 13º salário, FGTS ou qualquer segurança. É a oficialização do subemprego com dinheiro público.
- Criação de um “exército” político: Quem escolhe os funcionários? Não é o instituto, com base em critérios técnicos. É o prefeito e seu grupo político. As vagas são distribuídas como moeda de troca por apoio político, transformando o serviço público em um gigantesco cabide de empregos e garantindo um curral eleitoral fiel e dependente para as próximas eleições.
Os supostos donos ocultos: As digitais de Ana Paula e Othelino
No papel, o Instituto GEPAS, sediado está sediado no Rua dos Guarás, Sala 307, Edifício Fernando de A Lopes, Jardim Renascença, São Luís, é presidido por Aline Soares Barros Lobato, que assinou os contratos em Codó, e seu companheiro, José Augusto Muniz Lobato Filho, que já representou o instituto em outras transações com outras prefeituras maranhenses. Mas as aparências enganam.

Nossa apuração, confirmada por múltiplas fontes ligadas à família Lobato e a política estadual, apontando que os verdadeiros donos do poder por trás do GEPAS seriam a senadora Ana Paula Lobato e o deputado Othelino Neto. A peça-chave dessa conexão seria o suposto parentesco entre a senadora e José Augusto Muniz Lobato Filho. Segundo informações, o casal de políticos utilizaria o instituto como um veículo para fechar contratos milionários em prefeituras aliadas, operando nas sombras enquanto figuras de menor expressão assinam os documentos.

O GEPAS não é um caso isolado em Codó. O instituto já acumulou dezenas de milhões de reais em contratos similares por todo o Maranhão, sempre seguindo o mesmo padrão de atuação.
O manto da invisibilidade: Onde está a transparência?
Para um esquema dessa magnitude funcionar, ele precisa de escuridão. E é exatamente isso que a gestão de Chiquinho FC e o Instituto GEPAS garantem. Em uma afronta direta à lei, os contratos de R$ 40,7 milhões jamais foram inseridos no portal de contratos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA). A ocultação impede que qualquer cidadão ou órgão de controle fiscalize o que está sendo feito com o dinheiro público.
O próprio instituto é uma caixa-preta. Seu site é uma fachada, com uma seção “Quem Somos” que não informa absolutamente nada sobre sua diretoria ou conselho. A única forma de saber que Aline Lobato é a presidente é através de uma consulta ao CNPJ na Receita Federal. Essa opacidade não é coincidência, é estratégia.
O blog Joerdson Rodrigues continuará a investigar e expor as entranhas deste esquema. É inadmissível que, enquanto a população de Codó sofre com a precariedade dos serviços públicos, milhões de reais sejam destinados a um instituto fantasma, cujos verdadeiros beneficiários parecem ser políticos poderosos. O Ministério Público e o Tribunal de Contas têm a obrigação de agir.



