BOMBA! Vereadores podem entrar no radar da Polícia Federal por suspeitas de fraude no Seguro-Defeso, em Paço do Lumiar

Ao menos três vereadores de Paço do Lumiar estariam sendo citados em informações relacionadas a um suposto esquema de fraude envolvendo o Seguro-Defeso, benefício destinado a pescadores artesanais durante o período em que a atividade de pesca fica restrita para preservação das espécies.

Segundo informações obtidas pelo blog Joerdson Rodrigues, um dos personagens, um homem “grandão” apontado nas denúncias seria considerado o principal articulador do suposto esquema. Ainda conforme os relatos recebidos pela reportagem, esse personagem teria cooptado outros dois parlamentares para atuar como uma espécie de intermediários (corretores) na captação de beneficiários, pessoas humildes.

A dinâmica relatada seria a seguinte: pessoas, especialmente moradores de áreas de maior vulnerabilidade social, seriam procuradas com a promessa de obtenção do benefício. Em contrapartida, segundo as informações repassadas ao blog, parte significativa dos valores recebidos seria posteriormente entregue aos supostos corretores.

Valores que chamam atenção

Conforme os relatos houvidos pelo pelo blog Joerdson Rodrigues de várias fontes, o suposto esquema teria movimentado valores expressivos.

As informações recebidas pela reportagem apontam que os dois parlamentares que supostamente atuariam como intermediários teriam obtido aproximadamente R$ 800 mil como gratificação por cooptar os supostos pescadores, enquanto o principal articulador teria acumulado, segundo os relatos, mais de R$ 5 milhões.

Bairros populares aparecem nos relatos

Outro ponto que chama atenção nas informações recebidas pelo blog Joerdson Rodrigues é a indicação de bairros como Cafeteira, Maiobão, Nova Vida, Zumbi dos Palmares e Luís Fernando, além de outras áreas da região, como locais onde supostamente haveria concentração de pessoas abordadas pelos vereadores que seriam resposaveis pela cooptação dos “pescadores”.

As informações apontam que as primeiras pessoas que foram cooptadas seriam aquelas com ligações políticas e com os vereadores. As fontes ouvidas relataram que a grande maioria das pessoas cooptadas para receber o Seguro-Defeso não execem e nunca exerceram atividade pesqueira ou marisqueiro, ou seja, são apenas pessoas humildes que estariam sendo convencidas a participar do esquema com a promessa de “se dar bem”.

Como funcionaria o suposto esquema?

De acordo com os relatos recebidos pelo blog, o mecanismo de funcionamento do esquema teria quatro etapas principais:

  1. Captação de pessoas — supostos veradores corretores procurariam moradores listando vantagens em receber o Seguro-Defeso;
  2. Promessa de obtenção do benefício — seria oferecida ajuda para conseguir o pagamento, pois teriam servidores dentro do INSS;
  3. Cobrança de percentual — parte do valor recebido seria supostamente repassada aos corretores/aliciadores;
  4. Concentração dos recursos — segundo os relatos, os valores seriam posteriormente direcionados aos responsáveis pela suposta articulação.

Esse tipo de prática, caso comprovado, seria particularmente grave porque en

Seguro-Defeso está no foco das autoridades

O assunto ganha relevância porque fraudes relacionadas ao Seguro-Defeso já foram alvo de diversas operações da Polícia Federal em diferentes estados.

Em julho de 2026, a PF realizou no Maranhão a Operação Fake Fisher, que investigou suspeitas de concessão irregular de 552 benefícios e estimou prejuízo de aproximadamente R$ 3,7 milhões aos cofres públicos. A operação foi conduzida pela Força-Tarefa Previdenciária no Maranhão. (Imirante)

A própria Polícia Federal já investigou, em outras operações, organizações suspeitas de cadastrar pessoas que não exerceriam a atividade de pesca para permitir o recebimento irregular do Seguro-Defeso. Em uma operação realizada no Pará, por exemplo, a PF estimou prejuízo de até R$ 5 milhões aos cofres públicos. (Serviços e Informações do Brasil)

Em setembro de 2025, o Governo Federal informou que o Ministério da Pesca e a Controladoria-Geral da União haviam solicitado investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de irregularidades na concessão do Seguro-Defeso. Entre as práticas apontadas estavam a atuação de atravessadores que cobrariam parte do benefício e a orientação de pessoas sem direito ao programa para obtenção irregular do pagamento. (Serviços e Informações do Brasil)

Paço do Lumiar volta a aparecer no debate sobre investigações

O município de Paço do Lumiar passa a chamar atenção diante das informações encaminhadas ao blog sobre a possível participação de agentes políticos locais em um esquema relacionado ao benefício.

O prefeito Fred Campos, atual gestor de Paço do Lumiar, é uma figura que já apareceu em diferentes contextos de investigações e reportagens relacionadas a operações da Polícia Federal.

Também é importante esclarecer que a Operação Sem Desconto investiga outro tipo de fraude: descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. A Polícia Federal e a CGU descrevem oficialmente a operação como uma investigação sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários. (Serviços e Informações do Brasil)

Portanto, qualquer eventual relação entre as investigações sobre o INSS e as denúncias envolvendo o Seguro-Defeso em Paço do Lumiar precisa ser estabelecida pelas autoridades competentes e não deve ser presumida apenas pela coincidência dos temas.

volveria um benefício social criado para garantir renda aos pescadores artesanais durante o período de defeso.

O ponto central: quem realmente tinha direito ao benefício?

A questão fundamental para uma eventual investigação não é simplesmente descobrir quem recebeu o Seguro-Defeso, mas verificar se os beneficiários realmente preenchiam os requisitos legais para receber o pagamento e se houve participação de terceiros na obtenção ou intermediação irregular do benefício.

A própria CGU e o Ministério da Pesca já apontaram preocupação com situações envolvendo pessoas sem direito ao benefício que seriam orientadas por atravessadores a obtê-lo irregularmente, assim como casos em que pescadores legítimos seriam pressionados a entregar parte do dinheiro recebido. (Serviços e Informações do Brasil)

Por isso, uma eventual investigação em Paço do Lumiar poderia analisar documentos, cadastros, requerimentos, vínculos com entidades representativas, movimentações financeiras e comunicações entre os envolvidos, caso existam elementos que justifiquem essas diligências.

PF poderá investigar?

A eventual entrada da Polícia Federal no caso dependerá da existência de elementos concretos que indiquem possíveis crimes de competência federal.

Por se tratar de benefício custeado com recursos federais e administrado no âmbito de programas federais, eventuais fraudes contra o Seguro-Defeso podem ser investigadas pelas autoridades federais, especialmente quando houver indícios de organização criminosa, falsidade documental, inserção de informações falsas ou outras irregularidades.

Mas é fundamental deixar claro: a publicação de uma denúncia jornalística não significa que a Polícia Federal já tenha aberto investigação contra os vereadores citados.

Até que haja manifestação oficial, documentos públicos ou confirmação por autoridade competente, os nomes e valores mencionados devem ser tratados como informações ainda pendentes de comprovação.

A investigação jornalística continua.

O objetivo é esclarecer fatos de interesse público, especialmente quando existem suspeitas relacionadas a benefícios sociais destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade. Qualquer eventual responsabilidade criminal deverá ser definida exclusivamente pelas autoridades competentes, com base em provas e no devido processo legal.

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