Denúncias obtidas pelo blog Joerdson Rodrigues levantam suspeitas sobre uma suposta movimentação de grandes volumes de dinheiro em espécie que estaria relacionada às despesas da campanha de Larissa DP, candidata a deputada federal pelo MDB no Maranhão.
Segundo os relatos encaminhados ao blog, o empresário Eduardo DP, marido da candidata, estaria realizando viagens frequentes para outros estados e, conforme essas denúncias, essas movimentações teriam relação com a obtenção de recursos em espécie que posteriormente seriam utilizados para custear despesas políticas e articulações de campanha.
É importante destacar que, até o momento, o blog Joerdson Rodrigues não teve acesso a documentos que comprovem que essas supostas movimentações de dinheiro vivo tenham ocorrido com a finalidade de compra de votos. Da mesma forma, não há, nesta reportagem, comprovação de que Larissa DP ou Eduardo DP tenham praticado crime eleitoral.
As informações são apresentadas como denúncias e relatos de fontes que pediram reserva de identidade e, portanto, precisam ser tratadas como suspeitas que dependem de apuração pelos órgãos competentes.
Campanha estaria custando milionário, segundo informações de bastidores
Nos bastidores políticos, circulam informações de que o custo total para viabilizar a eleição de Larissa DP poderia chegar a aproximadamente R$ 50 milhões.
Esse valor, entretanto, não corresponde aos dados oficiais de gastos declarados pela campanha à Justiça Eleitoral.
Segundo dados públicos da candidatura, o limite legal de gastos de Larissa DP para o primeiro turno é de R$ 3.176.572,53. Em atualização baseada nos dados do TSE, a candidata havia declarado R$ 1.243.500,00 em recursos recebidos e R$ 964.698,50 em despesas até a atualização de 13 de setembro de 2026. Eduardo José Barros Costa aparece entre os doadores, com R$ 100 mil registrados. (CNN Brasil)
A diferença entre os valores oficiais registrados e a cifra de R$ 50 milhões mencionada nos bastidores é justamente um dos pontos que, caso existam elementos concretos, precisaria ser esclarecido pelos órgãos de fiscalização eleitoral.
Estrutura espalhada pelo Maranhão chama atenção
Outro ponto mencionado nas denúncias é a presença da campanha de Larissa DP em diferentes municípios do Maranhão.
A candidata vem participando de atos políticos, caminhadas, arrastões e agendas ao lado de diversas lideranças. Nos últimos dias, por exemplo, Larissa DP participou de mobilizações políticas em municípios como Lago da Pedra e Lago dos Rodrigues, em eventos que também reuniram outras lideranças estaduais.
A dimensão dessa estrutura alimenta, nos bastidores, avaliações de que a campanha teria capacidade financeira e política acima do padrão de uma candidatura estreante.
Há também registros públicos de que Eduardo DP participa da articulação política em torno da candidatura da esposa. Reportagens publicadas anteriormente apontaram sua atuação na construção da base política de Larissa DP em diferentes regiões do Maranhão. (Diário 98)
Comparação com deputados que buscam a reeleição
A estrutura apresentada pela campanha também chama atenção porque Larissa DP disputa uma vaga na Câmara Federal contra candidatos que já possuem mandato, bases eleitorais consolidadas e estruturas políticas construídas ao longo de vários anos, sem falar das centenas de milhões destinados as bases via emendas parlamentares impositivas, emendas pix e orçamento secreto.
Nesse cenário, a candidata passou a ocupar espaço relevante na disputa eleitoral e vem aparecendo em diferentes agendas políticas no estado.
Polícia Federal: o que está confirmado e o que ainda é denúncia
O nome de Eduardo DP já esteve relacionado a investigações da Polícia Federal. Em 2022, durante a Operação Odoacro, a PF prendeu o empresário e apreendeu mais de R$ 1 milhão em espécie. O celular apreendido naquela ocasião também passou a integrar investigações posteriores envolvendo outros agentes políticos. (O Observador Maranhense)
Em junho de 2026, uma nova operação da Polícia Federal, denominada Operação Afluente, atingiu pessoas relacionadas às investigações envolvendo emendas parlamentares. Reportagens sobre o caso informaram que a apuração teve origem em elementos obtidos após a prisão de Eduardo DP em 2022. (O Observador Maranhense)
Esses fatos são públicos e documentados. Já a informação específica de que a Polícia Federal estaria atualmente monitorando as viagens de Eduardo DP entre Goiás, Tocantins e Maranhão por causa da campanha de Larissa DP não foi confirmada publicamente pela Polícia Federal, apenas por fontes que denunciaram o caso ao blog e invocaram o sigilo da fonte.
Por isso, essa informação deve ser tratada como uma alegação de bastidores, e não como uma conclusão da investigação.
Poderá haver uma nova operação antes da eleição?
Nos bastidores, também circula a expectativa de que uma eventual ação da Polícia Federal possa ocorrer na reta final das eleições.
Até o momento, porém, não há confirmação pública de que a PF tenha programado uma operação contra Larissa DP ou Eduardo DP antes do domingo.
Qualquer eventual busca e apreensão, prisão ou outra medida judicial dependeria de autorização e dos procedimentos legais aplicáveis.
Diante das denúncias recebidas pelo blog Joerdson Rodrigues, o ponto central passa a ser outro: há elementos concretos capazes de explicar a origem dos recursos utilizados na campanha e compatibilizar a estrutura apresentada publicamente com os valores oficialmente declarados à Justiça Eleitoral?
Essa é uma questão que pode ser esclarecida por documentos, prestação de contas, registros bancários, notas fiscais, contratos, informações de fornecedores e, caso existam indícios de irregularidades, pelas autoridades responsáveis pela fiscalização das eleições.
O blog Joerdson Rodrigues ressalta que as informações sobre suposta movimentação de dinheiro em espécie, compra de apoio político e eventual compra de votos são apresentadas como denúncias e relatos de fontes reservadas. Os citados devem ter assegurado o direito de manifestação e defesa, especialmente diante da gravidade das acusações.