Uma denúncia grave vinda do município de Duque Bacelar chegou à Central de Denúncias do blog Joerdson Rodrigues, expondo uma situação de total descaso e humilhação com alunos e professores da rede municipal de ensino. O vereador Betim do Sacolão (PDT) revelou que a gestão do prefeito Flávio Furtado (PDT) realizou uma reforma em uma escola no povoado de Salamanca, na zona rural, mas, em um ato inexplicável de negligência, esqueceu do básico: construir um banheiro digno para a comunidade escolar.
Enquanto a fachada da escola exibe uma pintura nova, ao lado, a realidade se impõe de forma vergonhosa. Alunos e funcionários são forçados a utilizar um banheiro improvisado, feito de palha, para fazer suas necessidades fisiológicas, uma cena que remete a séculos passados e que é inaceitável em pleno século XXI.
Em um vídeo gravado no local, o vereador Betim do Sacolão expressa sua indignação com o cenário desolador. “Meus amigos, eu estou aqui numa escola do povoado de Salamanca. Não vou mentir, a escola foi revitalizada. Beleza, prefeito, revitalizou a escola, mas venha ver a situação do banheiro”, inicia o parlamentar, apontando para a precária estrutura.
“Veja aqui. Em pleno século XXI, com os recursos que já caíram para a educação do nosso município, você ainda tem banheiro de palha, prefeito. Que vergonha, rapaz“, desabafa o vereador.
A denúncia se torna ainda mais alarmante quando confrontada com os recursos destinados à educação do município. Um levantamento realizado pelo blog Joerdson Rodrigues junto ao Tesouro Nacional constatou que, apenas de janeiro até a presente data, a prefeitura de Duque Bacelar já recebeu R$ 26.085.267,58 (vinte e seis milhões, oitenta e cinco mil, duzentos e sessenta e sete reais e cinquenta e oito centavos) somente através do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Com um montante tão expressivo, a falta de um banheiro decente não pode ser justificada por falta de verba, mas aponta para uma grave falha de gestão e inversão de prioridades. O vereador questiona diretamente a administração municipal: “Será se o recurso que já caiu não teria condição de fazer um banheiro, um masculino e um feminino, para que nossas crianças pudessem fazer as suas necessidades? Não tem fossa. Aqui não tem fossa. Se os alunos quiserem suas necessidades, vão ter que cair para o mato”, concluiu.
A situação em Salamanca é um retrato do desrespeito com o dinheiro público e, principalmente, com a dignidade de crianças e educadores. Mesmo com mais de R$ 26 milhões (vinte e seis milhões de reais) em caixa, a gestão de Flávio Furtado não se atentou para um detalhe fundamental que impacta diretamente a saúde, a higiene e o bem-estar da comunidade escolar, deixando uma pergunta no ar: para onde estão indo os recursos da educação de Duque Bacelar?