Enquanto a maioria dos empreendedores brasileiros luta contra a crise, Jackson Dias Amorim vive uma ascensão financeira que desafia as estatísticas. Em pouco mais de um ano, sua empresa já acumula cifras milionárias junto a contratos com a prefeitura de Santa Helena, sob a gestão de Joãozinho Pavão.
O início de 2026 em Santa Helena traz uma sensação de déjà vu para quem acompanha as contas públicas do município. No último dia 14 de janeiro, o Diário Oficial revelou o que já parece ser um padrão na administração do prefeito Joãozinho Pavão: a empresa J D Amorim garantiu seu primeiro contrato do ano, no valor expressivo de R$ 3.353.104,70 (três milhões, trezentos e cinquenta e três mil, cento e quatro reais e setenta centavos), para a construção de uma creche escola tipo II, com vigência de execução de 12 meses.

Este é o 15º contrato da empresa com a prefeitura na atual gestão, mas o que chama a atenção não é apenas a quantidade, mas a velocidade e as conexões por trás do “sucesso” repentino de seu proprietário.
Jackson Dias Amorim não é um estranho ao círculo de influência do poder local. Antes de se tornar o “empresário do momento”, Jackson era funcionário de Luiz Lobato — ninguém menos que o tio do atual prefeito, Joãozinho Pavão.
A transição de empregado para um dos maiores prestadores de serviço da cidade ocorreu em um período de tempo curiosamente curto. Jackson assumiu o controle da empresa J D Amorim (que já passou por diversas mãos desde 2012) no dia 9 de dezembro de 2024. O detalhe cronológico é contundente:
- A mudança de sócio ocorreu apenas 64 dias após a vitória eleitoral de Joãozinho Pavão;
- Faltavam menos de 30 dias para o início do novo mandatário assumir a prefeitura.
O ano de 2025 foi o “divisor de águas” para Jackson. Em seu primeiro ano completo como dono da empresa, ele movimentou R$ 8,4 milhões vindos dos cofres públicos. Agora, com o contrato de R$ 3,3 milhões assinado logo na segunda semana de janeiro de 2026, a J D Amorim sinaliza que sua hegemonia nos canteiros de obras de Santa Helena está longe de acabar.
Embora a troca de sócios e a participação em licitações sejam atos legais, a coincidência temporal e os laços de proximidade entre o contratado e os familiares do contratante levantam questionamentos éticos inevitáveis. Como uma empresa que mudou de comando às vésperas da posse consegue tamanha eficiência em vencer 15 contratos em sequência?
A população de Santa Helena, que agora verá mais R$ 3,3 milhões serem destinados à construção de uma creche com vigência de 12 meses, espera que o Ministério Público e os órgãos de fiscalização acompanhem não apenas o cronograma das obras, mas a lisura dos processos que tornaram um ex-funcionário da família do prefeito o empreiteiro mais “afortunado” da região.
