Na política de cidade pequena, onde todo mundo se conhece e a memória do eleitor costuma ser mais afiada que discurso de palanque, a recente movimentação do ex-aliado do prefeito Heliezer Soares (MDB), Thalison Oliveira, chamou atenção — e não exatamente pelo lado positivo da história.
Sem cerimônia e, segundo relatos de bastidores, sem qualquer gesto de gratidão pública pelos anos em que esteve próximo à gestão municipal, Thalison decidiu abandonar o grupo político que lhe abriu portas e oportunidades, migrando rapidamente para os braços do candidato derrotado nas eleições de 2024, Quinzinho do Gás. A transição foi tão rápida que nem deu tempo de esfriar a cadeira: saiu de um lado, pousou para foto do outro, como quem troca de camisa no intervalo do jogo.

O contraste: gestão estável x aposta em projeto rejeitado nas urnas
Enquanto o prefeito Heliezer Soares segue conduzindo a administração municipal com foco em estabilidade política e continuidade administrativa — algo valorizado por boa parte da população —, a nova aliança entre Thalison e Quinzinho parece mais uma tentativa apressada de sobrevivência política do que um projeto consistente para o município.
Afinal, Quinzinho já foi testado nas urnas em 2024 e não convenceu o eleitorado de Peri Mirim. Agora, surge como “novo” aliado justamente de quem se beneficiou, por anos, da estrutura política do grupo que agora critica. No mínimo, um roteiro que soa repetido demais para parecer novidade.
Promessas e mais promessas: o enredo que preocupa
De acordo com informações que chegaram ao blog, após anunciar publicamente que agora integra o grupo do ex-candidato derrotado, Thalison estaria supostamente tentando atrair jovens e lideranças locais com promessas relacionadas ao programa Trabalho Jovem, vinculado à Secretaria de Indústria e Comércio (Seinc).
O programa é voltado para jovens de 17 a 25 anos que estejam cursando ensino médio, técnico, superior, EJA ou educação especial — uma política pública relevante e que, em tese, deve obedecer critérios técnicos e transparentes de seleção.
Entretanto, segundo relatos oriundos de Peri Mirim, haveria a narrativa de que vagas já estariam “garantidas” por meio de um suposto contato influente dentro da estrutura da secretaria. Caso isso venha a se confirmar, o cenário deixaria de ser apenas política local e passaria a levantar questionamentos sérios sobre possível uso político de um programa público que deveria beneficiar jovens de forma isonômica.
Importante frisar: trata-se de informações de bastidores que, se comprovadas, contrariariam frontalmente o discurso institucional de moralidade administrativa defendido pelo governador Carlos Brandão, além de expor uma das secretarias mais estratégicas do governo estadual a um desgaste desnecessário.
A pressa como inimiga da própria carreira
A movimentação de Thalison também reacende um velho alerta em Peri Mirim: a política local tem histórico de “foguetes de uma eleição só”. Nas eleições de 2024, vários nomes considerados fortes acabaram mergulhando no ostracismo político após romperem alianças consolidadas — e a história ainda está fresca na memória do eleitor.
Curiosamente, o único vereador que conseguiu se reeleger foi justamente aquele que permaneceu fiel ao grupo do prefeito Heliezer Soares. Coincidência ou sinal claro de que, para o eleitor de Peri Mirim, coerência ainda pesa mais que oportunismo?
Heliezer segue no centro do tabuleiro
Enquanto adversários tentam se reorganizar com alianças de ocasião, o prefeito Heliezer Soares continua ocupando o espaço central da política local, sustentado por uma base que valoriza previsibilidade, gestão contínua e alinhamento institucional. Em política municipal, onde resultados concretos falam mais alto que discursos inflamados, essa constância costuma valer mais que qualquer fotografia de última hora em gabinete estadual.
Entre a gratidão e o cálculo político
No fim das contas, a saída de Thalison do grupo governista levanta um debate que vai além de nomes: trata-se do velho dilema entre lealdade política e ambição acelerada. A aposta de se juntar a um candidato derrotado nas urnas pode até render manchetes momentâneas, mas dificilmente garante capital político duradouro — sobretudo quando a população enxerga contradições entre discurso e trajetória recente.
Se o plano da dupla for realmente usar programas públicos como vitrine política, o tiro pode sair pela culatra. E, na política de Peri Mirim, onde o eleitor acompanha cada passo com lupa, o passado recente mostra que quem trai alianças consolidadas corre sério risco de enterrar a própria carreira antes mesmo de consolidá-la.
Enquanto isso, Heliezer Soares observa o movimento com a tranquilidade de quem segue governando, administrando e mantendo seu grupo coeso — algo que, pelo visto, continua sendo o maior ativo político da cidade.
