Profissionais que atuam em escolas comunitárias de São Luís procuraram o blog Joerdson Rodrigues para denunciar uma situação que classificam como “insustentável”. Segundo relatos encaminhados à reportagem, trabalhadores da educação estariam há cinco meses sem receber salários, enfrentando dificuldades financeiras e acumulando dívidas enquanto continuam exercendo suas funções em comunidades carentes da capital maranhense.
De acordo com os denunciantes, muitos profissionais dependem exclusivamente desse vínculo empregatício para sustentar suas famílias. Eles afirmam que o problema dos atrasos salariais ocorre de forma recorrente ao longo dos anos e alegam que, até o momento, não houve definição de um cronograma oficial para regularização dos pagamentos.
Os profissionais também relatam que o problema teria se mantido tanto no período da gestão do ex-prefeito Eduardo Braide quanto na atual administração da secretária municipal de Educação, Esmênia Miranda, citada na denúncia enviada ao blog.

Segundo os trabalhadores, a situação tem provocado impactos diretos na vida pessoal e profissional dos funcionários das escolas comunitárias, que atuam principalmente em áreas de maior vulnerabilidade social. Muitos afirmam estar enfrentando dificuldades para pagar aluguel, contas básicas e despesas com alimentação.
Em nota enviada ao blog, os profissionais descrevem o cenário vivido nas instituições:
“As Escolas Comunitárias de São Luís vivem um verdadeiro caos diante da falta de pagamento. Já se passaram 5 meses sem recebermos aquilo que é nosso por direito. São pais, mães, profissionais da educação, seres humanos que dependem dos seus salários para sobreviver.”
Os relatos também apontam dificuldades administrativas envolvendo processos documentais dentro da Secretaria Municipal de Educação (SEMED). Segundo os denunciantes, algumas organizações enfrentariam demora na validação e atualização de documentos, o que estaria contribuindo para o atraso nos repasses.
Ainda conforme a manifestação enviada ao blog, os trabalhadores cobram mais diálogo, transparência e respeito por parte do poder público municipal:
“Pedimos apenas respeito. Pedimos que olhem para nós como qualquer outro trabalhador merece ser olhado. Se coloquem no nosso lugar: como sobreviver 5 meses sem receber o que é de direito?”
Repasses do Fundeb ultrapassam R$ 252 milhões
Os profissionais também chamam atenção para os valores recebidos pela Prefeitura de São Luís por meio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) em 2026.
Segundo os dados apresentados à reportagem, o município recebeu entre janeiro e maio deste ano o total de R$ 252.140.483,17 em repasses do fundo federal destinado à educação básica.
Confira os valores informados:
- Janeiro: R$ 68.830.746,89
- Fevereiro: R$ 59.820.831,09
- Março: R$ 50.596.919,27
- Abril: R$ 55.799.094,37
- Maio: R$ 17.092.891,55
Diante do cenário, os profissionais pedem que a Prefeitura de São Luís apresente um posicionamento oficial sobre os atrasos e divulgue um cronograma de pagamento para os trabalhadores das escolas comunitárias.
Até o fechamento desta matéria, o espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de São Luís e da Secretaria Municipal de Educação sobre as denúncias apresentadas pelos profissionais.