Dra Fernanda Barros e Alan da Marissol ao lado de Túlio Rezende

Teia de contratos milionários em Balsas: Acordo político entre Túlio Rezende e vice-prefeito de São João Batista direciona R$ 23 milhões a empresas dos filhos de Willame Barros

Documentos e apuração revelam que empresas com capital social irrisório abocanharam contratos milionários na gestão de Alan da Marissol (PRD), enquanto proprietário teria adquirido aeronave de R$ 3 milhões antes mesmo de assumir os serviços.

A Prefeitura de Balsas, sob a gestão do prefeito Alan da Marissol (PRD), firmou contratos que somam R$ 23.111.212,20 (vinte e três milhões cento e onze mil duzentos e doze reais e vinte centavos) com duas empresas pertencentes aos filhos do vice-prefeito de São João Batista, Willame Barros (PSDB). A apuração do blog Joerdson Rodrigues, com base em dados públicos de contratos municipais, revela que o acordo teria sido intermediado pelo candidato a deputado estadual Túlio Rezende e seu pai, o ex-deputado Stênio Rezende, configurando um possível arranjo político-financeiro que levanta questionamentos sobre a legalidade e a transparência das contratações.

A teia de contratos

Os números chamam atenção pela disparidade entre a capacidade econômica das empresas e o volume de recursos públicos estimados via contratos.

A Ocidental Comércio e Serviços Ltda, de propriedade de Thiago Barros, possui capital social de apenas R$ 300 mil, mas acumula três contratos que totalizam R$ 20.371.962,20 (vinte milhões trezentos e setenta e um mil novecentos e sessenta e dois reais e vinte centavos). O objeto das contratações inclui locação de máquinas pesadas, veículos pesados e equipamentos, além de serviços de retroescavadeira, caminhão pipa e caminhão munck para atender demandas do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto).

Thiago Barros

Já a Gênesis Locação de Máquinas & Equipamentos Ltda, de Willame Barros Filho, tem capital social de R$ 800 mil e firmou cinco contratos que somam R$ 2.739.250,00 (dois milhões setecentos e trinta e nove mil duzentos e cinquenta reais) para locação de veículos leves.

Willame Barros Filho

Segundo dados do portal da transparência da Prefeitura de Balsas, um dos contratos da Ocidental – o de nº 459/2025 – tem valor individual de R$ 8.137.996,80 e vigência de 12 meses, com assinatura em 11 de setembro de 2025. O objeto é a locação de máquinas pesadas e veículos para a Secretaria Municipal de Finanças.

Capacidade técnica questionável

A análise dos contratos revela um ponto crítico: a capacidade técnica e operacional das empresas para executar serviços de tamanha magnitude.

A Ocidental, com capital social de R$ 300 mil, assumiu obrigações que incluem fornecimento de máquinas com operador, combustível e manutenção preventiva e corretiva. A Gênesis, com R$ 800 mil de capital, firmou cinco contratos distintos no mesmo período.

Especialistas em licitações consultados informalmente apontam que o volume de contratos incompatível com o porte das empresas é um indicativo clássico de direcionamento em processos licitatórios ou de fracionamento de contratos para burlar limites legais. Nenhum dos contratos foi objeto de questionamento público pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) até o momento, mas a disparidade permanece sem explicação oficial.

O papel dos intermediadores

A apuração do blog Joerdson Rodrigues indica que as negociações teriam sido conduzidas por Túlio Rezende, filho da deputada estadual Andreia Rezende e do ex-deputado Stênio Rezende, e seu pai, que detém forte força política e administrativa junto ao prefeito Alan.

Túlio é candidato a deputado estadual e, segundo o blog, teria apresentado as empresas dos irmãos Barros como “braço financeiro” de um acordo político. O prefeito Alan da Marissol já declarou publicamente apoio à candidatura de Túlio Rezende.

A relação entre as famílias Rezende e Barros não é recente e os laços só estreitaram ainda mais, em agosto de 2026, Túlio Rezende participou de uma passeata em São João Batista ao lado da Dra Fernanda Barros (filha de Willame Barros), com o evento sendo coordenado pelo vice-prefeito Willame Barros.

A aeronave de R$ 3 milhões

Um dado adicional da apuração chama atenção pela coincidência temporal. Segundo o blog, Thiago Barros, proprietário da Ocidental, teria adquirido uma aeronave Embraer EMB-810D, avaliada em R$ 3 milhões, antes mesmo de os contratos serem formalizados.

O avião bimotor teria sido comprado com a antecipação de que os contratos seriam firmados na gestão de Alan da Marissol. A informação, se confirmada, reforçaria a tese de direcionamento prévio das licitações e de enriquecimento incompatível com a atividade empresarial declarada.

O que diz a lei

A legislação brasileira, especialmente a Lei de Licitações (Lei 14.133/2021), exige que os contratos públicos sejam precedidos de processos transparentes e isonômicos. A Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992) prevê sanções para agentes públicos que concedam benefícios indevidos ou permitam enriquecimento ilícito.

A Constituição Federal, em seu artigo 37, estabelece os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Contratos que beneficiam parentes de agentes políticos ou que apresentem indícios de direcionamento podem configurar improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

O que está em jogo

A soma dos contratos – R$ 23,1 milhões – representa uma quantia significativa para um município como Balsas, que enfrenta desafios estruturais em saúde, educação e infraestrutura.

A concentração de recursos em empresas de um mesmo grupo familiar, com capacidade técnica questionável e vínculos políticos diretos com o vice-prefeito de outra cidade, levanta sérias dúvidas sobre a lisura dos processos licitatórios e o interesse público nas contratações.

O caso de Balsas se insere em um contexto mais amplo de escândalos de corrupção que assolam o Maranhão, onde a máquina pública frequentemente se confunde com interesses privados e projetos de poder.

A pergunta que permanece: quem fiscaliza?

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