A coisa está feia pelos lados da Câmara de São José de Ribamar. Depois de amargar uma série de reveses políticos, a presidente Francimar Jacintho (PL), agora enfrenta a chiadeira de funcionários que reclamam de salários atrasados. E o povo tem razão de querer explicação. Afinal, todo mundo tem conta para pagar, feira para fazer e família para sustentar.
Enquanto o dinheiro, segundo os relatos, não aparece, a caneta da presidente não para. Só nesta terça-feira (27), foram publicadas oito exonerações, sete delas sem indicação de pedido dos servidores, além de sete nomeações. Tudo no Mural Eletrônico da Câmara, com efeitos retroativos ao início de outubro. A turma que apostou no 22 já estaria até falando em arrependimento. Pelo visto, a ressaca das urnas chegou acompanhada de uma bela dor de cabeça.
Mas Francimar tem outro abacaxi para descascar. Um grupo de vereadores, liderado por Ednilson do Kantão, entrou de vez na disputa pelo comando da Casa, levantando a bandeira da libertação da Câmara das amarras da Prefeitura. A turma afirma ter 12 dos 21 votos e quer eleger uma nova Mesa Diretora. Só que Francimar suspendeu a eleição marcada para 9 de outubro, alegando questões regimentais.
A decisão não caiu nada bem entre os adversários, que enxergam no adiamento uma maneira de segurar a disputa. E a pergunta continua: se existe maioria para eleger o próximo presidente, por que a votação não acontece?
Nos corredores, o falatório é grande. De um lado, funcionários cobrando o pagamento; do outro, vereadores contando votos, enquanto as exonerações vão saindo no papel oficial. Os atrasos salariais são relatados por servidores e ainda precisam ser esclarecidos pela presidência. Já as demissões e nomeações estão devidamente publicadas.
Francimar pode até ter motivos para mexer na estrutura da Câmara e suspender a eleição, mas vai ter de explicar suas decisões. Porque, no fim das contas, quem trabalha quer receber, quem foi eleito quer votar e o povo de Ribamar quer saber o que está acontecendo. Disputa por cadeira é uma coisa. Salário na conta é outra. E boleto, minha gente, não aceita desculpa política!