No Maranhão, uma das formas mais fáceis de prosperar é por meio do setor público, e uma das principais maneiras de alcançar esse crescimento é atuando como empresário no ramo de licitações públicas. Um dos empresários que obteve destaque, polêmicas, denuncias de favorecimento e superfaturamente nesse segmento foi o empresário Marilson Raposo, que, segundo levantamento realizado pelo blog Joerdson Rodrigues, já detém quase R$ 500 milhões em contratos públicos somente no estado.
Levantamento realizado pelo blog Joerdson Rodrigues identificou que a empresa Globalserv Gestão Serviços e Comércio Ltda, atualmente vinculada ao jovem Maurício Oliveira Alcântara Raposo, de apenas 20 anos, possui um conjunto expressivo de contratos firmados com órgãos públicos ao longo dos anos, que somam aproximadamente R$ 56.223.851,41 (cinquenta e seis milhões duzentos e vinte e três mil oitocentos e cinquenta e um reais e quarenta e um centavos).
De acordo com os dados analisados pelo blog, foi possível identificar pelo menos 27 contratos associados à empresa, números que colocam a Globalserv entre as organizações com relevante participação no mercado de fornecimento de bens e serviços para administrações públicas no estado.
O aspecto que mais desperta curiosidade não é apenas o volume financeiro dos contratos no Maranhão, mas a transferência do controle empresarial para um jovem empresário que, aos 20 anos, passou a figurar como responsável por uma companhia que no papel está fora do estado, mas enraizada aqui.
É curioso como uma empresa maranhense com endereço em Brasília!
Embora tenha sido constituída no Maranhão e tenha operado durante anos em diferentes endereços localizados na Região Metropolitana de São Luís, a empresa possui atualmente registro empresarial em Brasília, no Distrito Federal, especificamente no setor Asa Norte, contudo ainda conta como telefone oficial um número fixo no Maranhão.
Portanto, apesar da mudança formal de sede, informações cadastrais consultadas pelo blog indicam a manutenção de vínculos operacionais com o Maranhão, incluindo contato telefônico registrado no estado.
A Globalserv integra um contexto empresarial mais amplo que, segundo informações obtidas pelo blog em consultas públicas, possui conexões societárias e comerciais com outras empresas associadas ao empresário Marilson Raposo e sempre associado com supostos favorecimentos em processos licitatórios.
Observa-se que a mudança de endereço de empresas é uma prática legítima e comum no ambiente corporativo. No entanto, quando ocorre em grupos que mantêm forte atuação em contratos públicos, a movimentação costuma despertar interesse de órgãos de controle, pesquisadores e da própria sociedade civil, especialmente em relação à transparência das operações.
As informações analisadas pelo blog Joerdson Rodrigues também apontam que a Globalserv mantém relações societárias e empresariais com outros CNPJs ligados ao mesmo núcleo econômico, incluindo empresas que exercem funções de participação patrimonial e administração de ativos.
Esse tipo de estrutura, frequentemente organizada por meio de holdings e empresas de participação, é permitido pela legislação brasileira e amplamente utilizado por grupos empresariais para organizar patrimônio, planejamento societário e expansão de negócios, e principalmente para ocultar patrimônio dos seus sócios.
O caso da Globalserv também reacende uma discussão recorrente sobre a concentração de contratos públicos em determinados grupos empresariais.
Embora a celebração de contratos com o poder público seja atividade legítima e regulada por lei, órgãos de controle e fiscalização defendem que a ampla concorrência entre empresas é fundamental para assegurar melhores preços, eficiência administrativa e maior controle social sobre a aplicação dos recursos públicos.
Uma das observações mais inportantes desse caso que podemos externar é: um pai que fez fortuna no setor público em meio a suspeitas de favorecimentos em contratos licitatórios agora abre as portas desse mundo para seu filho, que já iniciou no ramo em meio uma polêmica em uma licitação que poderá lhe render um contrato de quase R$ 10 milhões.
