Denúncias de alimentação imprópria para consumo humano e contratos emergenciais milionários colocam a gestão do sistema penitenciário e a empresa Nutrimax sob a mira do Ministério Público.
O contraste não poderia ser mais nítido e revoltante. De um lado, o luxo de Dubai, nos Emirados Árabes, destino escolhido por Eduardo Soares Viana, conhecido como “D’Brinco”, para desfrutar de miniférias com a família. Do outro, o odor fétido e a precariedade das marmitas servidas aos detentos do sistema prisional do Amapá pela sua empresa, a Nutrimax. situação, descrita por familiares de internos como “lavagem de porco”, deixou de ser apenas uma reclamação de pátio para se tornar um risco real de segurança pública. O estado de tensão nas unidades prisionais de Macapá é crítico, com alertas de uma rebelião iminente motivada pela fome e pela insalubridade.
O Ministério Público e o “risco à saúde”
A gravidade do serviço prestado pela Nutrimax não é apenas uma percepção dos presos. O Ministério Público do Amapá (MPAP), através da Recomendação expedida em 1º de julho de 2025, baseou-se no Parecer Técnico nº 32/2025-UFIPSRS/NVS, que apontou “diversas inconformidades” no local de produção dos alimentos.
O documento é contundente ao afirmar que os serviços da Nutrimax “podem colocar em risco a saúde dos consumidores”, devido ao descumprimento sistemático da legislação sanitária brasileira. Diante do caos, o MPAP recomendou que a empresa subcontratasse urgentemente outra organização que possuísse alvará sanitário e condições estruturais para garantir que a comida chegasse ao IAPEN de forma minimamente digna.
Um dos pontos que mais gera indignação na opinião pública é a origem da operação da Nutrimax no estado. A empresa conseguiu se estabelecer no Amapá por meio de um contrato emergencial sem licitação (Contrato nº 023/2024), destinado ao fornecimento de todas as refeições do sistema prisional — do desjejum à ceia.
Estima-se que a Nutrimax já tenha movimentado dezenas de milhões de reais em recursos públicos através desses contratos emergenciais. Enquanto o faturamento é garantido pelos cofres do Estado, o serviço entregue na ponta é alvo de protestos constantes de familiares, que frequentemente se reúnem em frente às unidades prisionais para exigir o básico: alimentação humana e no horário correto.
O silêncio de Dubai e o caos em Macapá
Enquanto as redes sociais mostram o lazer da família Viana no exterior, em Macapá o clima é de barril de pólvora. Atrasos na entrega das refeições e a baixa qualidade nutricional têm sido o estopim para uma revolta que ameaça colapsar a segurança do sistema penitenciário estadual.
A gestão do IAPEN e a Secretaria de Estado de Segurança Pública enfrentam agora o desafio de conter uma crise que, segundo os órgãos de controle, foi alimentada por negligência técnica e um modelo de contratação que privilegia o lucro em detrimento da dignidade e da lei.
Em breve iremos trazer mais informações bombasticas sobre os contratos e repasses para Nutrimax no Amapá.
A redação mantém o espaço aberto para que a empresa Nutrimax ou o senhor Eduardo Soares Viana se manifestem sobre as recomendações do Ministério Público e as denúncias apresentadas.
