Segundo a investigação, Alynne Pinheiro Ribeiro Trindade vendia por até R$ 10 mil um falso benefício que daria direito a viajar durante um ano pagando só as taxas de embarque. Pelo menos 30 pessoas teriam sido enganadas desde 2024.
A Justiça do Maranhão decretou a prisão preventiva de Alynne Pinheiro Ribeiro Trindade, de 41 anos, suspeita de aplicar repetidos golpes em moradores de São Luís. A decisão foi assinada no dia 28 de setembro de 2026 pela juíza Larissa Rodrigues Tupinambá Castro, titular da 1ª Central das Garantias e Inquéritos da Comarca da Ilha de São Luís. O pedido de prisão partiu da Polícia Civil e teve parecer favorável do Ministério Público.
Alynne é investigada pelo crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, que consiste em enganar alguém para obter vantagem financeira.
Como funcionava o golpe
De acordo com as informações da investigação, Alynne trabalhava na Gol Linhas Aéreas e usava essa condição para ganhar a confiança das vítimas. Ela dizia que, por ser funcionária de uma companhia aérea, tinha autorização para vender um benefício especial: quem comprasse poderia fazer viagens nacionais e internacionais durante um ano inteiro pagando apenas as taxas de embarque.
Cada “benefício” custava entre R$ 8 mil e R$ 10 mil.
Depois de receber o dinheiro, porém, a suspeita passava a demorar para responder às mensagens e as passagens nunca eram emitidas. Para manter as vítimas enganadas, ela inventava desculpas, como voos lotados ou cancelamentos por causa de manutenção na aeronave.
Vítimas iam ao aeroporto de madrugada
Segundo a investigação, mesmo sabendo que ninguém iria embarcar, a suspeita deixava que as vítimas se deslocassem até o aeroporto, muitas vezes de madrugada. Entre elas estavam idosos, crianças e mulheres grávidas. Além do prejuízo financeiro, as pessoas enfrentaram forte desgaste emocional.
Já tinha condenação anterior
Alynne já havia sido condenada pela Justiça por outros crimes de estelionato cometidos em 2012. Conforme a investigação, ela voltou a aplicar golpes a partir de 2024 e fez pelo menos 30 novas vítimas.
Por que a Justiça mandou prender
A prisão preventiva é aquela decretada antes do julgamento, quando a Justiça entende que manter a pessoa em liberdade representa risco. Na decisão, a juíza afirmou que a medida é necessária para garantir a ordem pública, diante do perigo concreto de que a suspeita continue cometendo crimes. A magistrada também considerou que outras medidas mais leves, como o uso de tornozeleira, não seriam suficientes.
O mandado de prisão foi registrado no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça, e tem validade até 2038.
O que diz a defesa
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Alynne Pinheiro Ribeiro Trindade. O espaço segue aberto para manifestação. A Gol Linhas Aéreas também foi procurada para comentar o caso.

