Blog Joerdson Rodrigues

BOMBA! Empresa abocanha R$ 7,1 milhões de Emenda Pix de Junior Lourenço em Miranda do Norte e MPC denuncia possível desvio

Deputado federal Junior Lourenço

Dinheiro que deveria asfaltar três bairros foi parar quase todo nas mãos da FCK Empreendimentos. Contrato some dos portais, projeto básico não existe, e R$ 900 mil saíram do caixa só 15 dias após a assinatura

De cada R$ 100 que o deputado federal Junior Lourenço (PL) mandou para Miranda do Norte, R$ 92,50 foram parar na conta de uma única empresa. Uma parte do dinheiro, que tinha destino definido por lei, pagou um serviço que nem estava previsto. O resultado foi uma representação do Ministério Público de Contas do Maranhão (MPC-MA) no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), com pedido urgente para bloquear os pagamentos.

Miranda do Norte não é uma cidade qualquer para Junior Lourenço. Ele governou o município por oito anos, de 2009 a 2016, e a cidade é o seu reduto político. Foi para lá que o parlamentar destinou a emenda nº 202641110003, uma transferência especial, a chamada “emenda Pix”, no valor de R$ 7.749.260,99.

R$ 7,1 milhões para uma só empresa

A beneficiária é a E O Lessa Ltda, que opera com o nome fantasia FCK Empreendimentos e tem sede na Rua da Estrela, Centro de Miranda do Norte. Segundo o MPC, a empresa recebeu R$ 7.168.185,58 em nove pagamentos, todos bancados com dinheiro da emenda.

O procurador de Contas Jairo Cavalcanti Vieira assina a representação, protocolada em 14 de outubro de 2026. Além da empresa, são alvos o Município de Miranda do Norte e o secretário municipal Saulo Rennan da Silva Mendes.

Uma das suspeitas é que esse dinheiro poderia ter sido usado como caixa dois servindo alimentar a campanha de reeleiçãoa do deputado federal Junior Lourenço (MDB), que conseguiu se reeleger e é apontada como uma das campanhas mais caras do estado, com estimativa de bastidores que teria custado mais de R$ 30 milhões.

O asfalto prometido virou estrada de terra

O Plano de Trabalho da emenda era claro: pavimentação asfáltica e recapeamento no Residencial Santa Bárbara 2, no Conjunto Santa Cruz e no Bairro Nova Miranda II.

Os empenhos da prefeitura contam outra história. Quatro pagamentos à FCK, que somam cerca de R$ 2,7 milhões, foram registrados como “manutenção de estradas vicinais”, sem número de licitação e sem contrato. Nada disso estava no objeto da emenda.

Para o MPC, trata-se de desvio de finalidade, uma violação direta do artigo 166-A da Constituição, que obriga o uso do dinheiro de emendas exatamente no que foi programado.

Contrato fantasma, projeto inexistente

Os outros R$ 4,4 milhões foram pagos com base em um “Contrato nº 003/2026”, que ninguém consegue ver. O documento não está no Portal da Transparência da prefeitura. Também não está no SINC-Contrata, o sistema do TCE onde os municípios são obrigados a registrar seus contratos. Pelo portal da prefeitura, Miranda do Norte não celebrou um único contrato em 2026.

O MPC só chegou ao rastro da contratação garimpando o Diário Oficial. Lá encontrou a Concorrência Eletrônica SRP nº 003-2026 e um contrato com a FCK assinado em 20 de julho, no valor de R$ 8.750.316,67, mais do que toda a emenda.

E há mais. O edital manda seguir o “Anexo I – Projeto Básico”, documento que define o que será feito, onde e em que quantidade. Esse projeto básico não existe em lugar nenhum: não está no PNCP nem no portal de compras do município. Sem ele, é impossível saber o que foi licitado, onde a obra deveria acontecer e se o que foi pago corresponde a qualquer coisa real.

Velocidade recorde

Os prazos chamaram a atenção do procurador:

MPC quer bloqueio imediato

O Ministério Público de Contas pede ao TCE-MA:

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